Flávio vai mudar postura em debate na Globo após pesquisas apontarem excesso de agressividade contra Lula

Campanha do PL reconhece que senador exagerou nas provocações ao presidente e prepara tom mais moderado para o próximo confronto; levantamentos qualitativos também identificaram falhas nas respostas dos candidatos

Adicione a Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

A avaliação de que Flávio Bolsonaro (PL) exagerou nas provocações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o debate da Band, no último domingo (18), levou a campanha do senador a rever sua estratégia para o próximo confronto presidencial, marcado para sexta-feira (23), na TV Globo. A informação foi publicada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Pesquisas qualitativas realizadas pelas equipes dos dois candidatos identificaram reações negativas ao comportamento do filho de Jair Bolsonaro, especialmente pela diferença de idade entre os adversários.

Embora integrantes do PL sustentem que Flávio teve desempenho superior ao de Lula, assessores reconhecem que o tom adotado pelo senador pode ter provocado um efeito contrário ao pretendido. A preocupação é que a insistência em ataques pessoais e gestos de deboche tenha transmitido aos eleitores a imagem de um candidato mais jovem tentando constranger um adversário de 80 anos.

A orientação para o próximo debate é reduzir a agressividade, evitar expressões consideradas desrespeitosas e concentrar os ataques em temas políticos e administrativos. A equipe, no entanto, pretende preservar a movimentação de Flávio pelo estúdio, considerada um dos pontos positivos de sua participação pela campanha.

Aliados admitem exageros e temem rejeição à postura de Flávio

Antes do debate da Band, os estrategistas do PL já haviam alertado Flávio Bolsonaro sobre os riscos de adotar um comportamento excessivamente agressivo contra Lula.

A diferença de 35 anos entre os candidatos era vista como um fator relevante. Enquanto o presidente tem 80 anos, o senador tem 45, circunstância que poderia despertar solidariedade ao petista caso os ataques fossem interpretados como tentativas de humilhação.

Depois de analisar as reações dos eleitores, integrantes da campanha concluíram que Flávio ultrapassou o limite considerado adequado em determinados momentos.

“Ele estava orientado a não ir para cima do Lula porque podia parecer que estava tentando humilhar um idoso. As pessoas tendem a tomar o lado do mais fraco. Não chegou a tanto, mas é melhor não abusar”, diz um assessor.

Outro aliado avalia que a reação irritada do presidente impediu que a imagem negativa recaísse exclusivamente sobre o senador.

“A nossa sorte é que Lula se irritou e reagiu, porque senão ficaria só a imagem de um presidente falando com um moleque”, diz um segundo aliado. “A irritação de Lula anulou a subida de tom do Flávio”.

A conclusão interna é que o candidato do PL deverá preservar a firmeza nas críticas, mas abandonar manifestações consideradas excessivamente provocativas.

Entre os comportamentos que devem ser evitados estão gestos de deboche e expressões como “esfregar” determinados fatos na cara do adversário.

Campanhas divergem sobre quem venceu confronto na Band

As pesquisas qualitativas realizadas durante o debate produziram avaliações distintas entre as equipes de Lula e Flávio Bolsonaro.

Nos grupos acompanhados pelos estrategistas do PT, a postura do senador foi descrita como “desrespeitosa” e “infantil” diante do presidente, identificado por alguns participantes como “um senhor”.

Já os levantamentos utilizados pela campanha do PL apontaram uma percepção negativa sobre as reações de Lula.

Segundo integrantes da equipe bolsonarista, o presidente teria demonstrado irritação e dificuldade para responder a determinadas provocações, sendo considerado “raivoso” e “confusa” em avaliações relatadas pelos estrategistas.

Os aliados de Flávio também interpretaram como positivo o comportamento do senador ao circular pelo palco e permanecer no enquadramento das câmeras mesmo durante as intervenções do adversário.

A movimentação teria contribuído, na avaliação da campanha, para transmitir uma imagem de disposição e controle do ambiente.

Um dos estrategistas do PL considera que a irritação de Lula prejudicou a imagem do presidente.

“Os eleitores já não aguentam mais nem ouvir a voz do Lula, e quando ele adota uma atitude de irritação fica pior”, diz um dos estrategistas do time de Flávio.

Apesar das interpretações favoráveis a seus respectivos candidatos, integrantes das duas campanhas reconheceram problemas que precisam ser corrigidos antes do confronto decisivo.

Flávio deve descansar mais e evitar perguntas sem resposta

Além de alterar o comportamento diante de Lula, a campanha de Flávio Bolsonaro pretende modificar a preparação do senador para o debate da Globo.

Assessores defendem que o candidato reduza compromissos públicos nos dias anteriores ao encontro, reservando mais tempo para descanso e treinamento.

A intenção é que ele chegue ao estúdio com maior disposição física e capacidade de reação às intervenções do presidente.

A avaliação leva em consideração a diferença na preparação dos dois candidatos para o debate da Band.

Enquanto Lula dedicou o fim de semana aos treinamentos, Flávio participou de eventos de campanha com milhares de apoiadores em Vitória, no Espírito Santo, Salvador, na Bahia, e São Paulo.

A agenda intensa é apontada por integrantes do PL como um fator que pode ter prejudicado a concentração do senador em alguns momentos do confronto, segundo a campanha.

Outra preocupação é a necessidade de apresentar respostas mais objetivas a questionamentos considerados sensíveis.

Os estrategistas identificaram como pontos fracos as dificuldades de Flávio para esclarecer sua posição sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e sobre recursos que teria solicitado ao empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

Segundo as informações mencionadas no debate, o dinheiro teria sido pedido para financiar um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

A equipe considera que deixar perguntas sem resposta permite ao adversário explorar a impressão de que o candidato procura evitar determinados assuntos.

Escala 6×1 provocou desgaste e obrigou Flávio a se explicar

Um dos momentos mais delicados para o candidato do PL ocorreu quando Lula perguntou se ele pretendia reverter o fim da escala 6×1, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso.

Flávio não apresentou uma resposta considerada suficientemente clara no primeiro momento, o que foi identificado como um problema pelos grupos de avaliação acompanhados pela campanha.

Diante da repercussão negativa, o senador utilizou parte de uma intervenção posterior, originalmente destinada a uma pergunta sobre segurança pública, para esclarecer sua posição.

Ele afirmou ter votado a favor do fim da escala 6×1, mas ressaltou que pretende defender maior flexibilidade nas contratações.

A tentativa de corrigir a resposta mostrou, na avaliação de seus assessores, a importância de não deixar dúvidas sobre temas diretamente relacionados às condições de trabalho da população.

A campanha pretende reforçar a preparação do senador nessas questões para evitar que Lula volte a explorar contradições ou respostas incompletas no debate de sexta-feira.

Mudança de Lula sobre maioridade penal também dividiu eleitores

A equipe petista também identificou dificuldades no desempenho do presidente durante o debate.

Um dos temas que provocaram reações divergentes foi a posição de Lula sobre a redução da maioridade penal.

O presidente passou a defender a possibilidade de reduzir de 18 para 16 anos a idade de responsabilização penal em casos de crimes hediondos.

A posição representa uma mudança em relação à postura historicamente adotada pelo PT, que tradicionalmente se opôs a propostas de redução da maioridade penal.

Nos grupos qualitativos acompanhados pela campanha, a resposta dividiu os participantes e evidenciou a sensibilidade do assunto.

A mudança de posicionamento também abriu espaço para questionamentos sobre a coerência das propostas apresentadas pelo presidente.

Apesar disso, integrantes da campanha petista consideram que Lula conseguiu reagir às provocações do adversário e evitar que Flávio controlasse sozinho o ritmo do confronto.

Debate da Globo será última oportunidade de corrigir erros

A participação de Flávio Bolsonaro no debate da Band era acompanhada com apreensão por integrantes de sua campanha.

Lula é considerado um adversário experiente em confrontos eleitorais, enquanto o senador carregava o histórico de um episódio ocorrido em 2016, quando disputava a Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSC.

Na ocasião, Flávio deixou um debate da Band durante o intervalo, episódio que provocou desgaste político e passou a ser lembrado por adversários.

A avaliação atual dos aliados é que o senador conseguiu superar aquele histórico ao participar integralmente do confronto com Lula.

Ainda assim, os estrategistas identificaram ajustes necessários para a última semana de campanha.

O debate da TV Globo, marcado para sexta-feira (23), será realizado dois dias antes do segundo turno presidencial, previsto para domingo (25).

A expectativa das equipes é que o encontro tenha peso na definição das estratégias finais, especialmente diante de uma disputa eleitoral apertada.

Para Flávio Bolsonaro, o desafio será manter a postura combativa sem reproduzir o comportamento considerado excessivo por parte dos eleitores consultados.

Para Lula, a prioridade será responder às críticas sem demonstrar irritação e apresentar posições mais claras sobre assuntos que provocaram dúvidas no primeiro confronto.

Com as pesquisas qualitativas orientando mudanças de última hora, os dois candidatos chegam ao debate decisivo pressionados a corrigir falhas e conquistar os eleitores que ainda podem alterar sua escolha.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo