Depois de seis anos em silêncio, o Mercadinho São José se prepara para voltar a pulsar em Laranjeiras. O espaço que já foi sinônimo de boemia carioca e encontros afetivos reabre as portas no mês que vem, repaginado por um investimento de R$ 10 milhões e pronto para unir memória, gastronomia e vida cultural no coração da Zona Sul do Rio.
No total, 13 lojistas já confirmaram presença no prédio principal e no anexo. A fachada tombada foi preservada, assim como a imagem de São José e a tradicional fonte do pátio interno.
O espaço, inaugurado originalmente em 1942, terá agora uma proposta voltada à gastronomia, unindo tradição e modernidade. Segundo Thiago Nasser, da Junta Local, que venceu a concessão para administrar o espaço por 25 anos, a ideia é criar uma “leitura contemporânea de um mercado público”. A aposta mistura hortifrútis de pequenos produtores com experiências gastronômicas variadas.
Entre os destaques estão a confeitaria Absurda, especializada em doces como o carrot cake; o bar Zilda, que trará pão de queijo e cachaça mineira; o Borbulhas, com vinhos artesanais, conservas e kombucha; e o Brewteco, que abrirá uma filial com cervejas artesanais e uma pizza de pesto no rooftop do anexo.
Diversidade de sabores
O público encontrará também opções de alimentação saudável e produtos regionais. O Tito Orgânicos oferecerá frutas e verduras, o Cultura Fungi trará temperos especiais, e a Rancho das Vertentes Queijaria terá queijos artesanais, incluindo uma linha de cabra.
A sorveteria Hoba, comandada por Bruno Karraz, promete sabores vegetarianos, como o sorvete de caju cremoso feito com frutas de época compradas no próprio mercado.
Além disso, o restaurante Locanda, especializado em massas italianas, terá sua primeira unidade fora da Região Serrana, funcionando no segundo andar do prédio original.
Patrimônio e revitalização
O processo de restauração respeitou o tombamento municipal do imóvel. De acordo com o arquiteto Guilherme Lima, responsável pela obra, os espaços internos foram modernizados e o telhado foi adaptado para atender ao novo formato, mas a fachada seguiu orientações do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade.
O prefeito Eduardo Paes ressaltou a importância da recuperação do espaço: “O Mercadinho São José é parte da alma carioca e não poderia ser abandonado. Compramos o prédio e o terreno ao lado em um processo que acompanhei pessoalmente. Vamos devolver o espaço remodelado sem perder a essência.”
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, destacou que a concessão é um exemplo de parceria público-privada que ajuda a movimentar a economia, assim como outras iniciativas no Centro do Rio.
Memória afetiva
Para os moradores, a reabertura é motivo de emoção. João da Silva Salles, comerciante e vizinho do mercado, se lembrou de momentos pessoais no local. “Posso dizer que eu entrei solteiro aqui e saí casado. Conheci minha esposa aqui no carnaval de 2002, durante o desfile do bloco Imprensa Que Eu Gamo. Depois disso, marcamos vários encontros lá”, contou.
A expectativa é que o espaço receba cerca de cinco mil visitantes nos fins de semana, entre cariocas e turistas, consolidando-se novamente como um ponto de referência cultural e gastronômico da cidade.






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