Mensagens da PF citam Ibaneis Rocha em articulação sobre compra do Master pelo BRB

Investigação aponta suposta propina milionária, pressão para fechar negócio com Banco Master e impacto político no Distrito Federal

O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), aparece citado em mensagens apreendidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades envolvendo a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. Segundo diálogos reproduzidos em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Ibaneis teria solicitado material técnico para se preparar diante das críticas esperadas à operação.

As mensagens foram encontradas no celular de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, preso na nova fase da investigação. Em conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, Costa afirma que o então governador pediu argumentos para defender publicamente o negócio.

De acordo com a decisão judicial, Paulo Henrique Costa informou que trabalhava para anunciar a operação rapidamente e que Ibaneis queria uma nota técnica para sustentar sua posição política.

Para investigadores, o conteúdo sugere que o Palácio do Buriti já tinha conhecimento do desgaste que a compra poderia provocar no mercado financeiro e no meio político.

A interpretação da PF é de que a articulação institucional ocorria ao mesmo tempo em que a negociação avançava internamente no banco estatal.

Operação foi barrada pelo Banco Central

A compra do Banco Master pelo BRB foi anunciada em março de 2025, mas não chegou a ser concluída após restrições do Banco Central.

Na época, Ibaneis defendeu a operação e afirmou que o BRB poderia se tornar um banco de alcance nacional, com aumento de negócios e rentabilidade.

O BRB tem como principal acionista o Governo do Distrito Federal.

Defesa de Ibaneis nega ingerência

Em nota, a defesa do ex-governador afirmou que as mensagens comprovam justamente a ausência de interferência direta de Ibaneis nas decisões internas do banco.

Segundo os advogados, se houvesse acompanhamento próximo da operação, não seria necessário solicitar esclarecimentos técnicos para conhecimento próprio.

A defesa também sustenta que o então chefe do Executivo garantiu autonomia à área técnica do BRB.

Investigação cita imóveis e suposta propina

Além das mensagens sobre o negócio, a investigação aponta que Paulo Henrique Costa teria recebido vantagens indevidas por meio de imóveis de luxo vinculados ao grupo de Daniel Vorcaro.

A PF afirma que seis imóveis avaliados em cerca de R$ 146,5 milhões foram usados para ocultar pagamentos ilícitos. Parte desses valores já teria sido rastreada.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, os bens teriam sido registrados por meio de empresas e fundos para dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários.

Nos bastidores de Brasília, aliados admitem preocupação com possíveis desdobramentos do caso sobre o grupo político ligado a Ibaneis Rocha.

O ex-governador deixou o cargo recentemente e articula candidatura ao Senado em 2026. O avanço das investigações pode elevar a pressão sobre seu projeto eleitoral e também atingir nomes da base governista local.

Decisão do STF

Ao autorizar a nova fase da Operação Compliance Zero, o ministro André Mendonça citou risco de destruição de provas, ocultação patrimonial e continuidade das práticas investigadas.

Com a divulgação das mensagens, o foco do caso se amplia do setor bancário para o núcleo político do Distrito Federal.

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