Menino internado com suspeita de envenenamento tem melhora, mas segue em estado grave

Internado com suspeita de envenenamento, o pequeno Arthur de Mello da Silva, de 11 anos, apresentou redução no inchaço cerebral

O estado de saúde de Arthur de Mello da Silva, de 11 anos, apresentou uma melhora considerada positiva pela equipe médica que acompanha o caso, segundo informou um familiar à Agenda do Poder. O menor segue internado em estado grave no Hospital Estadual Ricardo Cruz, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, após ingerir um bolo que pode ter sido envenenado por chumbinho.

Segundo Ademir Silva, pai da criança, o menino teve uma pequena redução do inchaço cerebral provocado pela intoxicação. Ele esteve na 64ª DP (São João de Meriti) para prestar depoimento.

“Segundo a médica, ele apresentou um pequeno desinchaço no cérebro. Ela disse que isso é muito positivo, mas que o caso ainda exige muitos cuidados e que é muito cedo para afirmar qualquer coisa”, afirmou Ademir.

Apesar da evolução clínica, os médicos mantêm cautela sobre o prognóstico. Segundo o pai, a equipe informou que ainda não é possível prever quando Arthur poderá despertar.

“Ela informou que não há como dar um diagnóstico ou prever quando ele vai acordar. Não é possível dizer se será daqui a um ano, um mês, uma semana ou alguns dias. Esse tipo de evolução é muito delicado. A piora pode acontecer rapidamente, mas a melhora acontece um dia após o outro”, relatou.

Enquanto acompanha a recuperação do filho, Ademir também cobra respostas sobre o que aconteceu. A principal linha investigativa apura se Arthur ingeriu uma substância tóxica após consumir um bolo levado para casa.

“Minha prioridade é a saúde do meu filho, mas também estou acompanhando de perto a investigação. Estou batendo nessa tecla porque quero descobrir quem fez isso, quem cometeu essa maldade. Ou, se foi ele mesmo, algo que considero muito difícil. Acho muito improvável uma criança colocar chumbinho em um bolo e comer”, disse.

Depoimentos começam a ser colhidos

A Polícia Civil iniciou nesta terça-feira uma nova etapa da investigação, com a coleta de depoimentos de pessoas ligadas ao caso. Ademir foi o primeiro a ser ouvido.

Segundo os relatos da família, Arthur começou a passar mal na noite do domingo (31), após consumir um bolo de chocolate que estava em sua mochila quando retornou da casa da mãe. A principal suspeita é de que a criança tenha ingerido chumbinho, produto utilizado ilegalmente como raticida e frequentemente associado a casos de intoxicação grave.

Arthur apresentava mudanças de comportamento, diz pai

Ademir também afirmou à Agenda do Poder, nesta segunda-feira (8), que Arthur vinha apresentando comportamentos considerados atípicos nos últimos meses, tanto em casa quanto na escola. Segundo ele, a mãe do menino chegou a ser convocada para uma reunião na unidade de ensino poucos dias antes do ocorrido, depois de chutar um colega.

O pai também contou que o menino demonstrava preocupação com questões familiares. De acordo com Ademir, Arthur teria ouvido uma conversa entre a mãe e o padrasto durante uma visita à residência deles.

Conforme o familiar, existem várias suspeitas: “Conversei com a mãe dele hoje e existem várias suspeitas. Eu disse que todas as pessoas que estiveram com o Arthur desde o sábado, quando o deixei na casa dela, até a segunda-feira à noite, quando ele voltou para minha casa, precisam ser investigadas. Tudo precisa ser apurado. Inclusive eu. Tudo. Isso não pode ficar impune”, disse.

Em nota, a Polícia Civil informou que aguarda os resultados dos laudos médicos, toxicológicos e periciais para esclarecer as circunstâncias do caso. A corporação afirmou ainda que nenhuma hipótese foi descartada até o momento.

*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes

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