Em uma das maiores ações repressivas recentes no estado, a Polícia Civil de São Paulo prendeu 675 pessoas com mandados de prisão em aberto durante uma megaoperação realizada entre a terça-feira (29) e a manhã desta quarta-feira (30). A informação foi publicada originalmente pelo G1e reproduzida por O Globo.
Batizada de Operação Rastreio, a ofensiva mobilizou mais de 2.500 policiais em dezenas de cidades paulistas, com foco em capturar criminosos acusados de uma variedade de delitos graves, como homicídio, estupro, roubo, tráfico de drogas e associação criminosa.
Segundo o secretário de Segurança Pública do estado, Guilherme Derrite, 47% dos detidos são reincidentes. “Essas prisões seriam suficientes para lotar uma penitenciária”, afirmou o secretário em coletiva. Ele defendeu que operações dessa magnitude evitam novas vítimas e propôs alterações na legislação penal para endurecer o tratamento dado a criminosos reincidentes e autores de crimes violentos.
“Defendo que se restrinja o acesso à audiência de custódia. Que tenha esse direito quem é réu primário, desde que não tenha cometido um crime hediondo ou mediante violência ou grave ameaça”, disse Derrite. “Não tem cabimento pegar um sequestrador e, com base única e exclusivamente na versão de uma criminosa que disse que foi vítima de violência policial, a pessoa ser posta em liberdade.”
O secretário também criticou o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) que impede o cumprimento integral de penas em regime fechado. “Se não pode 100%, que se cumpra 99% da pena em regime fechado”, defendeu. A fala ocorre no momento em que Derrite é cotado para disputar uma vaga no Senado em 2026, onde deverá tramitar a PEC da Segurança Pública, proposta pelo governo federal e apoiada por ele.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a operação partiu de um levantamento prévio de endereços e rotinas de 1.080 alvos. Embora nem todos tenham sido localizados, a operação resultou ainda na prisão em flagrante de 108 pessoas, a maioria por tráfico de drogas.
O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Artur Dian, destacou que alguns dos capturados eram procurados por crimes cometidos fora do estado e tinham vínculos com facções criminosas. Um dos casos mais emblemáticos foi a prisão de cinco integrantes de uma quadrilha responsável por um prejuízo de R$ 3 milhões a um salão de cabeleireiros de alto padrão na região dos Jardins, em São Paulo. Três deles já tinham antecedentes criminais.
A Operação Rastreio deve ter novas fases nas próximas semanas. Segundo a SSP, o objetivo é seguir apertando o cerco contra foragidos da Justiça e fortalecer o combate ao crime organizado em território paulista.





