A megaoperação deflagrada na manhã desta terça-feira (10) pela Polícia Civil no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio, mira um perfil menos conhecido, de traficantes sem qualquer anotação criminal prévia. Segundo o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, o objetivo é retirar do anonimato criminosos que conseguiam passar despercebidos pelas autoridades e pela sociedade.
Até o momento, 11 criminosos foram presos e três fuzis foram apreendidos.
“Essa operação tira do anonimato pessoas que se passavam por trabalhadores, estudantes, jovens, que caso fossem alvejados ou capturados poderiam falar que não eram bandidos. Importante trabalho que identifica e tira essas pessoas do anonimato. Além de tentar prender traficantes que tem anotação, hoje temos [mandados contra] traficantes que passavam despercebidos da polícia e da sociedade”, afirmou Curi ao Bom Dia Rio.
Quarenta e quatro traficantes sem antecedentes criminais foram identificados e indiciados com base em provas colhidas durante sete meses de investigação, conforme a Polícia Civil.
“Ainda que muitos não sejam localizados e presos, essas pessoas já são consideradas foragidas da Justiça”, completou.
Ao todo, estão sendo cumpridos dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), organização que domina comunidades como Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau. A ação é coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), com apoio da Core e de unidades da capital, Baixada e Interior, após sete meses de investigações.
As apurações revelaram um núcleo criminoso altamente estruturado, chefiado por Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como um dos narcotraficantes mais perigosos do estado.
O grupo utiliza drones para monitorar viaturas policiais, impõe toque de recolher, instala barricadas, promove intolerância religiosa e monopoliza serviços públicos. Também foi identificado um setor voltado à tentativa de abate de helicópteros, com armamento pesado e treinamento específico.
“Vários deles que passavam despercebidos da sociedade e da atuação da polícia, já que não ostentavam anotações criminais, mas que tinham intensa participação, foram identificados por essa investigação”, acrescentou Curi.
Além das prisões, duas construções irregulares utilizadas como bases estratégicas pelos traficantes, com estrutura de seteiras serão demolidas.
Reflexos na cidade
O impacto da operação repercutiu nas linhas Vermelha e Amarela, parcialmente fechadas ao longo da manhã por questões de segurança. O município também entrou em Estágio 2 às 6h50, segundo o Centro de Operações, por conta dos bloqueios na Avenida Brasil e na Linha Vermelha, na altura de Vigário Geral.
O Estágio 2 é quando há ocorrências de alto impacto que exigem monitoramento constante e podem afetar serviços essenciais, como mobilidade, saúde ou segurança. É o segundo nível em uma escala de cinco.
Segundo o COR, o trânsito apresenta retenções na Avenida Brasil no sentido Centro, desde Barros Filho até Cidade Alta, ponto inicial da interdição. Na Linha Vermelha, há bloqueios também nos dois sentidos, afetando diretamente o fluxo em direção ao Centro e ao Aeroporto Internacional do Galeão.





