O MDB decidiu permanecer neutro na disputa pela Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão foi oficializada nesta segunda-feira (27), durante a convenção nacional do partido, que também autorizou diretórios estaduais e filiados a apoiarem livremente o candidato que considerarem mais adequado em seus respectivos estados.
A definição encerra meses de negociações e representa um revés para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que buscava ampliar sua base de apoio e chegou a discutir a possibilidade de o MDB indicar o candidato a vice-presidente na chapa da reeleição. As conversas, porém, não avançaram e o posto permaneceu com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Partido libera apoio nos estados
Com a decisão, o MDB não adotará uma posição única na eleição presidencial. Em vez disso, cada diretório estadual terá autonomia para construir alianças conforme o cenário político local.
Segundo o presidente nacional da legenda, deputado Baleia Rossi (SP), a medida busca preservar a unidade interna e fortalecer o desempenho eleitoral do partido nas disputas para a Câmara dos Deputados e para o Senado.
“A liberação nacional acaba unindo e pacificando, deixando o partido mais forte para que nos estados tenha um resultado bastante positivo. Tenho absoluta convicção que vamos ter muito sucesso na Câmara Federal e, da mesma forma, vamos ter muito sucesso no Senado da República”, afirmou.
Ao defender a neutralidade, Baleia afirmou que a liberação dos diretórios contribui para pacificar o partido e ampliar as chances de sucesso eleitoral nas eleições proporcionais.
Lula terá apoios regionais
Embora não haja um posicionamento nacional, Lula deverá contar com o apoio de importantes lideranças do MDB em diversos estados, especialmente nas regiões Nordeste e Norte.
Entre os nomes citados estão o ex-ministro dos Transportes Renan Filho, pré-candidato ao governo de Alagoas; o ex-governador Helder Barbalho, que disputará uma vaga no Senado pelo Pará; e o senador Eduardo Braga, candidato à reeleição no Amazonas.
Ao mesmo tempo, outra ala da legenda mantém proximidade com adversários do presidente. O próprio Baleia Rossi é aliado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enquanto o prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB) apoia a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
Divisão interna pesou na decisão
A neutralidade reflete a diversidade de posicionamentos dentro do MDB. Ainda durante as negociações com o Palácio do Planalto, um levantamento interno mostrou que parte dos diretórios defendia apoio a Lula, enquanto outro grupo era contrário à aliança.
Mesmo ocupando os ministérios das Cidades, Planejamento e Transportes durante boa parte do atual governo, o partido manteve o discurso de independência e preservou canais de diálogo tanto com a base governista quanto com setores da oposição.





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