Esperado na Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), no Centro, o cantor Marlon Brendon Coelho, o MC Poze do Rodo, faltou ao depoimento marcado para a tarde desta terça-feira (3), no âmbito da investigação sobre uma denúncia de estupro feita por uma adolescente de 16 anos.
A defesa do artista afirma que ainda não teve acesso integral à investigação e que aguarda o recebimento de documentos para que ele possa prestar esclarecimentos. Em nota à imprensa durante a tarde, o advogado Fernando Henrique Cardoso, que representa Poze, afirmou que a pediu acesso ao inquérito na última quinta e que o cantor foi intimado a depor no mesmo dia, sem que os advogados tivessem acesso ao conteúdo da investigação.
Segundo ele, até esta terça-feira, a defesa teve acesso parcial à documentação, não incluindo o depoimento da adolescente. O advogado afirmou ainda que esteve na delegacia esta tarde para reforçar o pedido de acesso integral ao conteúdo da investigação para que o cantor preste esclarecimentos.
O que diz a denúncia
A adolescente afirma que foi violentada durante uma festa na casa de Poze, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio, no fim de setembro. Segundo o relato apresentado à polícia, ela alega que estava sob efeito de drogas e não estava plenamente consciente. Ela afirmou ainda que teria pedido ao cantor que utilizasse preservativo, mas ele teria se recusado.
A jovem também relata um segundo episódio, dois dias depois, quando teria sido coagida a voltar à residência do artista e a tomar medicamentos. A adolescente passou por exames de perito no Instituto Médico-Legal (IML). A defesa da adolescente afirma ter áudios e vídeos relacionados ao caso e solicitou medidas protetivas contra o cantor.
A advogada Daiana Andrade, que representa a jovem, afirma que ela foi vítima de estupro, ameaça e constrangimento ilegal. “Ela verbalizou expressamente que queria usar preservativo, ele disse que não usa, e continuou. Ela estava sob efeito de entorpecentes”, diz.
Poze nega as acusações. Em manifestações nas redes sociais na semana passada, afirmou que a jovem teria se apresentado como maior de idade e divulgou uma gravação de uma suposta conversa em que uma pessoa diz ter sido bem tratada na residência.
A investigação está sob responsabilidade da DCAV.
Nota da defesa de Poze na íntegra
“Pedimos acesso à investigação na quinta feira e na própria quinta intimaram o Marlon para comparecer hoje, mas sem dar acesso a nada.
Hoje mesmo nos manifestamos e estivemos na delegacia para indicar que o nosso pedido de acesso fosse dado, justamente para levar nosso cliente na delegacia.
Lá na delegacia, constatamos que hoje por volta das 13 horas, deram o acesso parcial, não incluindo o depoimento da denunciante.
Como temos o direito de ter acesso ao mesmo para prestar esclarecimentos, presencialmente e por meio de petições, reforçamos nossos pedidos, agora em especial ao depoimento da menor, para que possamos levá-lo o mais rápido possível e prestar os devidos esclarecimentos.
Há contudo um esclarecimento que precisa ser feito até o fim da fase de investigação: como em uma investigação sigilosa, até mesmo o horário de uma intimação é sabida pela imprensa?”.







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