Marina Silva é ovacionada na COP30 e emociona plenária em Belém

Ministra do Meio Ambiente recebe aplausos de pé ao defender ambição climática, transição justa e novos “mapas do caminho” para desmatamento e combustíveis fósseis.

A plenária de encerramento da COP30, em Belém, foi marcada por uma longa ovação à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Emocionada, ela recebeu aplausos de pé de delegados de todo o mundo após um discurso que revisitou 33 anos de debates climáticos, desde a Rio-92.

Reflexão sobre avanços e frustrações desde a Rio-92

Marina convidou os presentes a imaginarem um diálogo com suas versões mais jovens, na Conferência do Rio de Janeiro, em 1992. Ela destacou que aquelas gerações certamente esperavam avanços mais rápidos:

— Sonhávamos com muito mais resultados. Esperávamos que a virada ambiental fosse mais célere, que a ciência movesse decisões e que a urgência superasse outros interesses — disse a ministra.

A resposta, segundo ela, ecoa uma fala recente do presidente Lula sobre a necessidade de mapas do caminho “justos e planejados” para reverter o desmatamento, superar a dependência de combustíveis fósseis e mobilizar recursos para a transição climática.

Debate sobre combustíveis fósseis e novas metas brasileiras

Marina reconheceu que não houve consenso para incluir no documento final da COP um plano global para eliminação dos combustíveis fósseis. No entanto, destacou o apoio à iniciativa proposta pelo Brasil.

A atual Presidência da COP, afirmou ela, trabalhará na elaboração de dois novos mapas do caminho:

  1. um para deter e reverter o desmatamento;
  2. outro para promover uma transição energética justa, ordenada e equitativa.

Ambos serão guiados pela ciência e terão caráter inclusivo.

Indígenas e comunidades tradicionais ganham força

A ministra também celebrou o reconhecimento crescente do papel de povos indígenas, comunidades tradicionais e afrodescendentes na proteção da natureza. Segundo ela, o conceito de transição justa ganhou “corpo e voz” com a presença ativa desses grupos.

Ela destacou ainda o lançamento do TFFF, mecanismo voltado à valorização de quem conserva florestas tropicais.

“Ainda estamos aqui”: legado e persistência ambiental

Retomando a reflexão sobre a Rio-92, Marina afirmou que, apesar dos atrasos e das contradições, há continuidade entre os ideais daquela época e os esforços atuais:

— Podemos mostrar que, apesar dos atrasos e disputas, continuamos capazes de cooperar e reconhecer que não há atalhos. A coragem climática vem da persistência coletiva.

Amazônia como anfitriã e gesto final de agradecimento

Em seu encerramento, Marina agradeceu a presença dos delegados na Amazônia, que chamou de “coração do planeta”.

— Talvez não os tenhamos recebido como merecem, mas o fizemos com nosso gesto de amor à humanidade e ao equilíbrio do planeta — afirmou.

A fala derradeira levou a plenária novamente aos aplausos, encerrando a COP30 com forte simbolismo ambiental e político.

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