A venezuelana María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, foi indicada à honraria pelo então senador estadunidense Marco Rubio, da Flórida. Em agosto de 2024, ele liderou uma carta enviada ao Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, defendendo que a opositora de Nicolás Maduro fosse considerada para o prêmio.
Na época, Rubio era uma das vozes mais ativas no Congresso dos Estados Unidos em apoio à direita venezuelana e se destacava pela postura dura contra o governo chavista. O gesto foi interpretado não apenas como um reconhecimento à trajetória de Machado, mas também como uma forma de pressão diplomática contra Nicolás Maduro, em meio às denúncias de repressão e fraude eleitoral na Venezuela.
“Escrevemos a vocês em apoio à indicação de María Corina Machado para o Prêmio Nobel da Paz”, dizia a carta assinada em 26 de agosto de 2024.

Os argumentos do senador
O documento, subscrito por outros parlamentares republicanos e democratas, exaltava o papel de Machado na luta por uma suposta redemocratização da Venezuela. “Em nosso trabalho como formuladores de políticas que lutam pela democracia e pelos direitos humanos diante de regimes ditatoriais no Hemisfério Ocidental e além, raramente testemunhamos tanta coragem, altruísmo e firme convicção moral como María Corina Machado”, escreveu Rubio.
Na carta, os senadores descreveram a líder da direita venezuelana como uma figura de resistência e esperança para o país. “Ela arriscou tudo para animar o povo venezuelano, antes abatido. Eles sofreram 25 anos de opressão, tortura, assassinato e privação econômica nas mãos do regime Chávez-Maduro, que sistematicamente minou as instituições democráticas e perpetuou uma crise regional de proporções monumentais. Machado se destaca como um farol de esperança e resiliência”, destacaram.
O texto também enfatizou o risco pessoal enfrentado pela opositora: “Apesar de sofrer severas ameaças pessoais, incluindo atentados contra sua vida, Machado permaneceu firme em seu compromisso de restaurar a governança democrática na Venezuela.”
Pressão política e simbolismo diplomático
A indicação ocorreu meses antes de Marco Rubio assumir um novo papel no cenário internacional: o de secretário de Estado do governo Donald Trump. O movimento é visto como simbólico, já que o próprio Trump, presidente dos Estados Unidos, também vinha tentando obter o Nobel da Paz, colocando a diplomacia de seu país a serviço dessa campanha.
A carta de Rubio, no entanto, teve um propósito distinto. Ela reforçava o alinhamento da política externa republicana com a causa da extrema direita venezuelana. “Sua liderança é fundamental na mobilização de apoio nacional e internacional para uma resolução pacífica da atual crise de fraude eleitoral. Seus esforços incansáveis o Prêmio Nobel da Paz busca honrar”, dizia o texto.
Para os signatários, o trabalho de Machado ultrapassa fronteiras: “Os esforços de Machado para trazer uma paz democrática à Venezuela beneficiam seu país, bem como a região e o mundo.”
A disputa pelo prestígio do Nobel
A campanha pela venezuelana coincidiu com uma forte mobilização de Trump em torno da mesma premiação. O presidente estadunidense expressou publicamente o desejo de se juntar ao seleto grupo de líderes de seu país que foram laureados — Barack Obama (2009), Jimmy Carter (2002), Woodrow Wilson (1919) e Theodore Roosevelt (1906).
Durante meses, a Casa Branca teria mobilizado parte do corpo diplomático para defender a candidatura de Trump, sob o argumento de que suas ações internacionais — como mediações no Oriente Médio — mereciam reconhecimento. O tiro saiu pela culatra — ao menos individualmente. Em termos estruturais, a premiação de María Corina Machado foi uma vitória do campo político de Trump, e a extrema direita mundial agradece.






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