A líder da oposição venezuelana María Corina Machado chegou nesta quinta-feira (15) à Casa Branca, em Washington, para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro acontece em um momento delicado da política venezuelana, marcado por disputas internas e pelo posicionamento controverso do governo americano sobre a transição de poder no país sul-americano.
Relação abalada após definição sobre o governo venezuelano
A reunião ocorre depois de María Corina Machado ter sido preterida por Trump como principal liderança para assumir o comando da Venezuela após a deposição de Nicolás Maduro. Em vez disso, a Casa Branca optou por apoiar Delcy Rodríguez, então vice-presidente do regime chavista, que passou a ocupar o cargo de presidente interina com o respaldo das Forças Armadas.
Trump chegou a elogiar publicamente Rodríguez após uma conversa telefônica entre os dois. “Falamos sobre muitas coisas, e acho que estamos nos dando muito bem com a Venezuela. Ela é uma pessoa incrível, alguém com quem temos trabalhado muito bem”, afirmou o presidente americano.
Nobel da Paz muda o peso político de Machado
Em outubro de 2025, María Corina Machado recebeu o Prêmio Nobel da Paz, reconhecimento que ampliou sua projeção internacional e reposicionou seu papel no debate sobre a democracia venezuelana. Em entrevista à Fox News neste mês, a opositora afirmou que não mantinha contato com Trump desde o anúncio do prêmio.
Trump, por sua vez, demonstrou incômodo com a escolha do Comitê Nobel, já que o presidente americano nunca foi agraciado com o prêmio. Segundo aliados, o republicano tem o Nobel da Paz como uma ambição pessoal e voltou a criticar duramente a Noruega e os organizadores da premiação.
Proposta simbólica e reação do Instituto Nobel
Antes da confirmação do encontro na Casa Branca, María Corina declarou que gostaria de entregar simbolicamente o troféu do Nobel a Trump, como reconhecimento pelo que considera esforços do presidente dos EUA para restaurar a democracia na Venezuela. Questionado sobre a fala, Trump reagiu positivamente. “Ouvi dizer que ela queria fazer isso. Seria uma grande honra”, afirmou.
O Instituto Nobel, no entanto, foi acionado para comentar a declaração e descartou qualquer possibilidade de transferência do prêmio. “Um Prêmio Nobel não pode ser revogado ou transferido para outra pessoa. Uma vez anunciado o vencedor, a decisão permanece para sempre”, declarou o porta-voz Erik Aasheim à agência AFP.
Encontro cercado de expectativa e cautela
Apesar da simbologia do encontro, Trump não sinalizou mudança imediata de posição em relação ao futuro político da Venezuela, nem indicou apoio direto a Edmundo González, apontado por parte da comunidade internacional como vencedor das eleições de junho de 2025.






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