Na noite desta quinta-feira (10), uma manifestação de organizações de esquerda na avenida Paulista, em São Paulo, atraiu cerca de 15,1 mil pessoas, segundo estimativas do grupo de pesquisa “Monitor do Debate Político”, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). O cálculo foi realizado com apoio da ONG More in Common, utilizando imagens aéreas captadas por drones e um software especializado para identificar a densidade de público. A quantidade de manifestantes superou o ato pró-Bolsonaro realizado no mês passado, que reuniu 12,4 mil pessoas, de acordo com os mesmos cálculos.
A mobilização, organizada pela Frente Povo Sem Medo e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), trouxe à tona um conjunto de pautas progressistas. Entre os principais temas abordados estavam a taxação dos super-ricos, as críticas ao Congresso Nacional e a forte oposição às tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. Durante o evento, líderes como Guilherme Boulos (PSOL) e Eduardo Suplicy (PT) subiram ao palco e ressaltaram a importância do ato para o cenário político atual.
Boulos, em seu discurso, destacou o simbolismo do ato, que considera ser um recado para as forças opositoras. “Nós estamos dando um recado. Aqui está acontecendo a maior manifestação de rua no Brasil em 2025. Aqui estão os verdadeiros patriotas, não quem é traidor da pátria, não quem usa símbolo nacional para conspirar contra o país”, afirmou, criticando figuras da direita. Em um tom combativo, o líder do PSOL também se dirigiu diretamente ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e ao ex-presidente Donald Trump, dizendo: “O jogo está virando. Acabou o tempo em que a gente apanhava calado”.
O evento foi marcado por um clima de confronto ideológico, com manifestações de apoio ao governo Lula e críticas ferozes aos adversários políticos, principalmente ao alinhamento de Bolsonaro com Trump. Além disso, houve forte engajamento nas redes sociais, com posts de apoiadores reforçando o apoio à mobilização e aos discursos dos líderes de esquerda.
A Avenida Paulista, tradicional palco de manifestações políticas em São Paulo, novamente se transformou em um espaço de protesto, evidenciando o crescente ativismo nas ruas e a polarização que marca o cenário político nacional.





