A classificação da Argentina para mais uma final de Copa do Mundo foi marcada por comemoração que reacendeu uma das disputas territoriais mais sensíveis da história entre argentinos e britânicos. Logo após a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, na semifinal do Mundial, os jogadores da seleção argentina estenderam uma faixa com a frase: “As Malvinas são argentinas”.
A manifestação ocorreu ainda no gramado, durante a celebração da classificação, e chamou atenção por contrariar o regulamento da Fifa, que proíbe manifestações de caráter político em partidas e cerimônias oficiais. As normas da entidade vedam o uso de bandeiras, roupas, faixas ou qualquer outro acessório com mensagens políticas durante os eventos organizados pela federação.
A celebração aconteceu logo após uma das viradas mais emocionantes da competição. A Argentina perdia o confronto até os 40 minutos do segundo tempo, quando conseguiu reverter o placar com gols de Enzo Fernández e Lautaro Martínez, garantindo presença na decisão do torneio.
Embora ainda não tenha sido anunciada qualquer medida oficial, a exibição da faixa pode levar a uma análise da Fifa. O regulamento da entidade busca evitar que partidas sejam utilizadas como palco para manifestações políticas, independentemente do tema ou do país envolvido.
A mensagem exibida pelos atletas faz referência à histórica reivindicação argentina sobre as Ilhas Malvinas, território administrado pelo Reino Unido e denominado pelos britânicos de Falkland Islands.
Entenda a disputa pelas Malvinas
As Ilhas Malvinas, como são chamadas pelos argentinos, ficam a cerca de 550 quilômetros da costa sul da Argentina, no Oceano Atlântico Sul. Para os britânicos, o arquipélago recebe o nome de Ilhas Falkland.
O território é composto por duas ilhas principais — Gran Malvina e Soledad — além de aproximadamente 200 ilhotas. A principal cidade é conhecida como Stanley pelos britânicos e Puerto Argentino pelos argentinos.
A soberania sobre o arquipélago é motivo de disputa há décadas. Em 1982, Argentina e Grã-Bretanha travaram uma guerra pelo controle das ilhas. O conflito terminou com a vitória britânica, deixando quase mil mortos entre militares dos dois países.
Desde então, o Reino Unido mantém a administração do local, considerado um território ultramarino britânico com governo próprio. A Argentina, por sua vez, continua reivindicando a soberania sobre as ilhas.
A Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece a existência da disputa territorial, mas não define oficialmente a quem pertence o arquipélago, defendendo que a questão seja resolvida por meio de negociações entre os dois países.
Possíveis punições previstas pela Fifa
A manifestação dos jogadores argentinos pode ser analisada à luz do Código Disciplinar da Fifa, que proíbe a exibição de mensagens de caráter político, ideológico, religioso ou ofensivo em competições organizadas pela entidade.
O documento estabelece, no parágrafo 2º do artigo 17, que associações e clubes podem ser responsabilizados pelo “uso de gestos, palavras, objetos e qualquer outro meio de transmitir uma mensagem inadequada ao ambiente esportivo, particularmente que sejam política, ideológica, religiosa ou de natureza ofensiva”.
Caso seja constatada infração, a Fifa dispõe de uma série de sanções disciplinares. As penalidades podem variar conforme a gravidade do caso e incluem aviso, advertência, multa ou outras medidas pecuniárias, devolução de prêmios, retirada de títulos e até a obrigação de cumprir compromissos financeiros decorrentes de processos disciplinares.
A multa prevista para uma infração é de aproximadamente R$ 31 mil em situações consideradas leves e de cerca de R$ 62 mil nos casos classificados como graves. Em caso de reincidência na mesma infração, os valores podem dobrar a cada nova ocorrência.
O Código Disciplinar também prevê punições para comportamentos da torcida. Entre as infrações está causar “confusão durante a execução dos hinos nacionais”. Antes do início da semifinal contra a Inglaterra, torcedores argentinos abafaram o hino inglês entoando o canto “quem não pula é inglês”.
Para esse tipo de infração, a multa inicial pode chegar a aproximadamente R$ 31 mil no primeiro registro e a R$ 47 mil em uma segunda ocorrência. A partir da terceira infração, o regulamento estabelece aumento de 100% sobre os valores aplicados.
Jogo foi marcado por muita rivalidade
O confronto entre Argentina e Inglaterra já carregava um forte simbolismo antes mesmo da bola rolar. Em campo, a rivalidade ficou evidente desde os primeiros minutos.
Ao longo da partida foram registradas 26 faltas, sendo 19 apenas na primeira etapa. A Argentina cometeu 15 infrações, enquanto a Inglaterra interrompeu as jogadas com 11 faltas.
Depois de um primeiro tempo bastante truncado, a partida ganhou mais intensidade ofensiva na etapa final. A Inglaterra manteve a vantagem até os minutos decisivos, mas viu a Argentina reagir nos instantes finais com os gols de Enzo Fernández e Lautaro Martínez.







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