Mais de 700 já foram presos na Venezuela em protestos contra reeleição de Maduro

Líder da oposição, María Corina Machado convocou venezuelanos a se manifestarem nas ruas

O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, anunciou nesta terça-feira (30) que 749 pessoas foram detidas durante os protestos contra a reeleição do presidente Nicolás Maduro, declarada pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) sob acusações de fraude pela oposição e pela maior parte da comunidade internacional.

Em declaração na sede do Ministério Público, Saab afirmou que aqueles responsáveis por danos ao patrimônio público serão processados por “atos de terrorismo”. Ele também indicou que líderes opositores, incluindo María Corina Machado, estão sendo investigados por supostamente “instigar” os protestos.

Saab culpou a oposição por “incitação ao ódio” e alegou que o grupo incentivou atos violentos que colocam em risco a vida dos venezuelanos. Ele criticou duramente os apelos da oposição para que as famílias participassem dos protestos, acusando-os de encorajar a destruição de prédios públicos e violência.

No dia anterior, após um dia de protestos em todo o país contestando os resultados eleitorais, María Corina Machado convocou os venezuelanos a retornarem às ruas e se manifestarem novamente em frente aos locais de votação. Em uma coletiva de imprensa, a ex-deputada afirmou que os protestos são uma resposta legítima e espontânea das comunidades populares contra um regime que considera ilegítimo.

Os protestos surgiram em meio a alegações generalizadas de fraude nas eleições presidenciais, intensificando as tensões políticas na Venezuela e a repressão por parte das autoridades.

Resultado contestado

Com 80% das urnas apuradas, o conselho anunciou na madrugada de segunda-feira a reeleição do chavista para um terceiro mandato de seis anos com mais de 5,1 milhões de votos (cerca de 51,2%) contra 4,4 milhões (44,2%) obtidos pelo candidato opositor, o diplomata Edmundo González Urrutia — escolhido após María Corina ser inabilitada de concorrer pela Justiça e sua substituta, a professora Corina Yoris, ser impedida de registrar sua candidatura.

Segundo a oposição, no entanto, González recebeu 73% dos votos, o equivalente a 6 milhões, contra apenas 2,7 milhões de votos de Maduro, menos de 30%. O grupo político acusa o CNE de esconder parte do boletins das urnas, e justificou a sua contabilização a partir das atas das seções eleitorais obtidas até o momento e pesquisas de boca de urna de quatro institutos de pesquisa independentes.

Com informações de O Globo

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