Conversas obtidas com exclusividade pelo Globo Esporte mostram dois momentos determinantes para a denúncia que originou a operação “Penalidade Máxima”, deflagrada pelo MP de Goiás, terça-feira, e que investiga a manipulação de resultados na Série B de 2022.
Informado de que o meia Romário estava envolvido, o presidente do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo, entrou em contato com o empresário Bruno Lopez de Moura, suposto aliciador, e com o próprio jogador, incentivando-os a dar mais detalhes sobre o caso.
Assim, obteve as informações que depois ele levaria ao MP-GO. Ambos admitem, em conversas por um aplicativo de mensagens, participação no esquema. Bruno está preso desde terça em São Paulo.
Romário receberia R$ 150 mil para cometer um pênalti no primeiro tempo do jogo entre Vila Nova e Sport, no dia 6 de novembro, pela última rodada da Série B. Um sinal de R$ 10 mil foi depositado em nome de outro jogador do Vila, Gabriel Domingos, que teria emprestado sua conta para a transação. Ele também é investigado.
No entanto, Romário sequer foi relacionado para a partida. Ele teria tentado convencer colegas de time a cometer o pênalti, mas não teve sucesso. Como o trato não foi cumprido, o empresário Bruno Lopez de Moura passou a cobrar a devolução do sinal de R$ 10 mil.
O ge teve acesso aos autos do processo, que traz as conversas de Hugo Jorge Bravo com o empresário Bruno Lopez de Moura e com Romário. O atleta foi demitido pelo Vila em 30 de novembro, e o presidente do clube denunciou o esquema ao MP-GO, dando origem à investigação.
Bruno (empresário) e Hugo (dirigente)
Em conversa com Hugo, o empresário Bruno Lopez de Moura reclama que Romário não cumpriu o combinado (cometer o pênalti) e diz que ele teria de devolver o dinheiro. O suposto aliciador pede ajuda ao presidente do Vila para reaver a quantia, alegando que teve prejuízo, já que a “operação” envolvia pênaltis em três partidas da 38ª rodada.
Hugo especula sobre valores e sobre os outros jogos que também fariam parte do esquema: Criciúma x Tombense e Sampaio Corrêa x Londrina. O MP-GO isenta os clubes, mas também investiga os jogadores Joseph (Tombense) e Matheusinho (do Sampaio Corrêa, atualmente no Cuiabá).



Romário (jogador) e Hugo (dirigente)
Em conversa com Hugo, Romário admite participação no esquema. Ele alega que não vinha jogando pelo clube e que por isso aceitou o dinheiro. Alegando que sua conta estaria bloqueada, ele pediu a do volante Gabriel Domingos, então colega de time no Vila, emprestada.
O jogador conta que já gastou o dinheiro e não teria como devolver ao empresário Bruno Lopez de Moura. Ele estaria disposto a ser negociado para quitar a dívida, já que não esteve no jogo para cometer o pênalti.



Na sexta-feira (17), Romário prestou depoimento. O jogador está em Minas Gerais e participou de videoconferência com os promotores. Ele esteve acompanhado de um advogado, que, no entanto, deixou o caso em seguida. Um novo representante deve assumir a defesa.






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