O primeiro Museu do Gato das Américas, dedicado exclusivamente aos felinos, foi inaugurado em Petrópolis (RJ) neste mês. O espaço, que tem a proposta de ser um museu de artes para quem ama gatos, surgiu como uma forma de transformar a dor da perda de um filho em um novo propósito de vida.
– Através de uma obra-prima, sobre um gato, você consegue sair de uma depressão – afirma Lucimere Mazurec, 54, fundadora do museu e artesã quase a vida toda.
Há oito anos, Lucimere perdeu seu único filho, Johann Mazurec, em um acidente quando ele tinha apenas 22 anos. Por muito tempo, ela não tinha motivação para seguir em frente, até que Kiba, o gato siamês deixado de herança por ele, a fez se apaixonar pelo “serzinho gato”.
– A elegância, a liberdade, a bipolaridade deles… uma hora ele quer brincar e na outra ele quer te dar uma patada. Isso me fascina – ela conta.
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“O gato é muito amor e o meu filho era muito amor”, diz Lucimere que, aos poucos, notou muitas semelhanças entre as características dos gatos e a personalidade do seu filho. A partir daí, o museu se tornou uma maneira de perpetuar, através da arte, a memória e essência de Johann.

“Um dia eu salvei você e você me salva todos os dias.” Para Lucimere, essa frase resume o que o gatinho Kiba representa em sua vida.
– O meu filho achou esse gato em cima de uma árvore lá no Rio. A gente morava em apartamento e ele chegou com o gato, um pacote de ração, uma caixinha de areia e falou assim: “Mãe, deixa ele ficar?”. E eu deixei – ela conta.
Depois da morte do filho, é o gatinho quem a salva.
– Todos os dias, eu chego em casa e fico procurando por ele – ela compartilha.
Kiba, ou Kibacana como Lucimere gosta de chamar, recebeu esse nome de Johann em homenagem a um personagem do anime Naruto. O siamês foi a inspiração para ela abrir o museu e se tornou um personagem da instituição. Ao lado de Kiba, Maluquete, uma gatinha pretinha, é a segunda personagem da casa.
O museu tem três salas, dentro de um casarão no Centro Histórico de Petrópolis, repletas de quadros, estatuetas e curiosidades sobre os bichinhos. Duas salas são temáticas, como a sala mística dos signos e a sala das sensações, onde fica um cantinho da saudade para as pessoas relembrarem os animais que se foram.

Antes mesmo de ter o lugar para funcionamento e o acervo, Lucimere foi em busca de Xartrux, considerado o maior gato do mundo, para a inauguração. Em menos de dois meses, tudo foi resolvido para a abertura, que aconteceu no dia do aniversário dela.
A maior parte do acervo do museu chegou através de doações, com exceção de algumas criações compradas por Lucimere. Alguns artistas colocarão fotografias de sua autoria à venda.
Trabalhos de Lucimere também estão no museu, incluindo quadros de gatos e artesanatos.

Só existem outros três espaços como o de Petrópolis no mundo: o Museu do Gato de Kuching, na Malásia, o Cat Museum Istanbul, em Istambul, e o KattenKabinet, em Amsterdã.
Lucimere reforça sua preocupação com as mães que, como ela, perderam um filho.
– Todo mundo que perde um filho tem vontade de morrer. O que move a gente é o propósito, mas e quando você não tem mais propósito? O meu filho era tudo – diz ela que, por meio do museu, quer falar a outras mães para não perderem a esperança. – É muito difícil, mas toda mãe precisa transformar a perda do seu filho em uma coisa nova, porque a gente vai viver até quando Deus quiser. Minha mãe tem 89 anos, é cheia de vida e quer viver.
Serviço
- Onde: Rua Ipiranga, 222/B – Centro Histórico, Petrópolis – RJ.
- Quando: Sábados, Domingos e Feriados, das 10h às 18h.
- Quanto: R$ 10 (ingressos vendidos diretamente no local).
- Informações: @omuseudogatopetropolis





