O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou o Itamaraty nessa segunda-feira (28) de seguir a linha do Departamento de Estado dos EUA, responsabilizando a diplomacia brasileira pelo veto à entrada de seu país no Brics. Durante a cúpula em Kazan, Rússia, na semana passada, Maduro expressou desapontamento com o que chamou de “facada nas costas” ao referir-se à posição brasileira, que inicialmente, segundo ele, teria dado sinais favoráveis à entrada venezuelana.
A crítica de Maduro foi direcionada especialmente ao diplomata Eduardo Paes Saboia, a quem descreveu como “funcionário de passado bolsonarista”, relembrando o episódio em 2013, quando Saboia ajudou o ex-senador boliviano Roger Pinto Molina a deixar a embaixada brasileira em La Paz durante o governo de Evo Morales.
O líder venezuelano também mencionou uma breve interação com o chanceler Mauro Vieira durante sua despedida de Vladimir Putin, alegando que Vieira teria ficado visivelmente incomodado ao vê-lo.
Sem ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Maduro afirmou preferir que o brasileiro seja bem informado sobre o caso e que, no momento certo, se posicione.
A decisão do Itamaraty gerou uma série de comentários críticos de figuras venezuelanas em relação ao Brasil, incluindo o procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, que acusou Lula de forjar um acidente doméstico para evitar a participação na cúpula.
Maduro afirmou ainda que o Itamaraty opera como “um poder dentro do poder” no Brasil, e que a política externa do país, segundo ele, sempre esteve alinhada com interesses americanos, referindo-se inclusive ao apoio ao golpe de 1964. Apesar das provocações, o Itamaraty não se pronunciou sobre o ocorrido, e Eduardo Saboia também optou por não responder às declarações.
Com informações da Folha de S.Paulo
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