Maduro acusa EUA de travar guerra ‘multifacetada’ para tomar petróleo da Venezuela

Presidente venezuelano afirma que Washington quer controlar as maiores reservas do mundo e critica envio de navios e submarinos estadunidenses à costa do país

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, voltou a endurecer o tom contra os Estados Unidos durante o Encontro Parlamentar do Grande Caribe em Defesa da Paz, realizado em Caracas na sexta-feira (31). Diante de autoridades e parlamentares da região, Maduro acusou Washington de travar uma “guerra multifacetada” contra seu governo e de tentar se apoderar das riquezas naturais do país.

“Eles querem roubar de nós a maior reserva de petróleo do mundo”, declarou o presidente no Palácio de Miraflores. Segundo ele, a Venezuela sofre pressões internacionais por sua posição estratégica e pelos seus vastos recursos naturais. “Se não tivéssemos 30 milhões de hectares de terras aráveis, nem a maior reserva de petróleo do mundo e a quarta de gás, talvez nem fôssemos mencionados”, afirmou.

Tensões crescem com presença militar dos EUA no Caribe

As declarações de Maduro ocorrem em meio à escalada nas tensões entre Caracas e Washington. O governo venezuelano reagiu com indignação ao envio de navios de guerra, caças e até um submarino nuclear estadunidense para a costa venezuelana, sob o argumento de combater o narcotráfico na região.

Desde agosto, operações autorizadas pela Casa Branca resultaram em mais de 50 mortes no Caribe e no Pacífico, segundo dados divulgados pela imprensa internacional. O governo de Maduro classificou as ações como parte de uma ofensiva política e militar com o objetivo de provocar uma “mudança de regime” e instalar um governo aliado aos interesses norte-americanos.

Em resposta, Caracas reforçou o discurso de resistência e anunciou medidas internas, como a abertura de um processo para retirar a cidadania de venezuelanos que apoiarem uma eventual invasão estrangeira.

Denúncias contra a CIA e apelo por soberania

A tensão diplomática aumentou após o jornal The Wall Street Journal revelar que o presidente dos EUA, Donald Trump, teria autorizado a CIA a realizar “ações letais” para enfraquecer o regime chavista. A informação repercutiu fortemente em Caracas, onde Maduro classificou as ações como “uma agenda de ameaças militares e guerra psicológica”.

“O povo venezuelano continuará construindo seu modelo democrático, com plenas liberdades, resolvendo seus assuntos com autonomia e soberania, sem abrir mão de um pingo de dignidade”, afirmou o presidente.

Maduro também anunciou a convocação de um encontro regional com movimentos sociais e lideranças políticas da América Latina e do Caribe ainda este ano. O objetivo, segundo ele, é promover a cooperação entre os países da região em defesa da paz e da soberania. “Nossa luta pela soberania e pela paz é a luta de toda a América. Nossa vitória será a vitória de toda a América”, declarou.

Críticas à “narrativa caluniosa” e comparações com o Haiti

O presidente venezuelano voltou a criticar o que chamou de “narrativa caluniosa” dos Estados Unidos, que, segundo ele, tenta deslegitimar seu governo perante a comunidade internacional. “Os supremacistas estão vindo para nos salvar”, ironizou, ao comparar as ações norte-americanas na Venezuela com as sucessivas intervenções militares no Haiti.

“O Haiti foi desmembrado por mais de 100 intervenções militares gringas”, acrescentou Maduro, afirmando que a política de Washington segue o mesmo padrão de interferência que já devastou outras nações caribenhas.

Em meio às acusações, o presidente Donald Trump foi questionado por repórteres sobre a possibilidade de uma ofensiva militar. Ele negou que uma ação desse tipo esteja em curso, mas admitiu que “ainda não tomou uma decisão” sobre possíveis medidas futuras.

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