O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta terça-feira (27) para o Panamá, onde cumpre sua primeira agenda internacional de 2026. A viagem marca o início da atuação externa do governo brasileiro no ano e ocorre em um contexto de reacomodação política e econômica no continente americano.
Lula participará do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, organizado pelo CAF, banco de desenvolvimento da região. O encontro, considerado o “Davos latino-americano”, será realizado nos dias 28 e 29 de janeiro, na Cidade do Panamá, e deve reunir mais de 2.500 líderes políticos, empresariais e acadêmicos.
Relevância do fórum no cenário regional
O fórum se consolidou nos últimos anos como um dos principais espaços de debate sobre os rumos da América Latina e do Caribe. A edição de 2026 acontece em um momento de maior instabilidade internacional, marcado por tensões geopolíticas, mudanças nas cadeias globais de produção e incertezas econômicas.
Esse ambiente ganhou novos contornos com a volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, fator que influencia diretamente o debate econômico e estratégico no continente. O impacto dessa mudança deve permear parte das discussões, ainda que não esteja formalmente no centro da programação.
Abertura com chefes de Estado
Lula será um dos participantes da sessão de abertura do evento, marcada para o dia 28. Ele dividirá o palco com os chefes de Estado do Panamá, Colômbia, Bolívia, Equador, Guatemala e Jamaica, além do presidente executivo do CAF, Sergio Díaz-Granados, e do presidente eleito do Chile.
A programação oficial do fórum prevê painéis e debates voltados para temas como crescimento econômico, inclusão social, competitividade, integração regional e o papel da América Latina em um contexto global mais competitivo e fragmentado. A agenda completa está disponível no site oficial do evento.
Economia, Nobel e debate acadêmico
O encontro também contará com a presença de vencedores recentes do Prêmio Nobel de Economia, como James Robinson e Philippe Aghion. A participação dos economistas reforça o caráter técnico e acadêmico do fórum, que busca aproximar formulação de políticas públicas, pesquisa econômica e decisões do setor privado.
As discussões devem abordar desafios estruturais da região, como desigualdade social, produtividade, financiamento do desenvolvimento e estratégias para ampliar a integração entre os países latino-americanos.
Agenda política nos bastidores
Além dos debates formais, a viagem é vista como estratégica do ponto de vista político e diplomático. Há expectativa de contatos iniciais entre o presidente brasileiro e o presidente eleito do Chile, além de conversas com o novo presidente da Bolívia.
Temas sensíveis da agenda regional, como a situação da Venezuela e o papel do setor privado no desenvolvimento econômico dos países latino-americanos, também devem surgir nas conversas paralelas. De acordo com o Itamaraty, esses assuntos serão tratados de forma transversal e não devem dominar oficialmente a pauta da viagem.
Compromissos na Cidade do Panamá
Lula chega à Cidade do Panamá no fim da tarde desta terça-feira (27). Na quarta-feira (28), além de discursar na sessão inaugural do fórum, o presidente brasileiro participa de um almoço com os demais chefes de Estado presentes, momento tradicionalmente reservado para trocas políticas mais diretas.
A expectativa do governo brasileiro é que a participação no evento ajude a reposicionar o país no debate econômico regional logo no início de 2026, reforçando o diálogo com governos latino-americanos e com representantes do setor privado e da academia.






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