O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu, em nota divulgada hoje (29), a retomada do diálogo nas negociações sobre a região do Essequibo, território conhecido pela abundância em petróleo e alvo de disputas históricas entre Venezuela e Guiana.
“O Brasil conclama as partes à contenção, ao retorno ao diálogo e ao respeito ao espírito e à letra da Declaração de Argyle”, diz a nota do Ministério das Relações Exteriores, em referência ao documento assinado pelos dois países no último dia 14 de dezembro.
A declaração estabeleceu como compromisso a não utilização da força ou a ameaça do uso da força entre as partes. Os dois países também têm concordado em cooperar para evitar medidas unilaterais que possam levar a uma escalada da situação.
“O governo brasileiro acredita que demonstrações militares de apoio a qualquer das partes devem ser evitadas, a fim de que o processo de diálogo ora em curso possa produzir resultados”, diz o comunicado do governo brasileiro divulgado nesta sexta-feira.
O comunicado foi divulgado depois de o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciar na ontem que enviará tropas para a fronteira com a Guiana, próximo a Essequibo. A mobilização de tropas veio em resposta ao anúncio do Reino Unido sobre o envio do navio da Marinha britânica ‘HMS Trent’ à costa da Guiana. O governo venezuelano entendeu o movimento como uma “provocação” e mobilizou mais de 5 mil soldados para uma “ação defensiva”.
— Acreditamos na diplomacia, no diálogo, na paz — disse Maduro. — Mas ninguém deve ameaçar a Venezuela, ninguém deve se meter com a Venezuela. Somos homens de paz, somos um povo de paz, mas somos guerreiros e essa ameaça é inaceitável para qualquer país soberano (…), a ameaça do decadente, podre, ex-Império do Reino Unido é inaceitável. Nós não a aceitamos.
Uma fonte do Ministério das Relações Exteriores da Guiana disse à AFP que o navio britânico “HMS Trent” chegaria às suas costas nesta sexta-feira e ficará no território por “menos de uma semana” para exercícios de defesa em alto-mar. Não há previsão de atracação em Georgetown, capital do país.
O vice-presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, disse na quinta-feira que seu país “não tem planos de ação ofensiva” contra a Venezuela.
— Essas são medidas de rotina planejadas há muito tempo e fazem parte da construção da capacidade de defesa — disse Jagdeo em uma coletiva de imprensa na quinta. — Não estamos planejando invadir a Venezuela, o presidente Maduro sabe disso. Não temos planos de tomar medidas ofensivas contra a Venezuela.
As tensões entre os dois países aumentaram após a realização de um referendo sobre a soberania de Essequibo, em 3 de dezembro, na Venezuela, o que gerou temores de um conflito armado entre vizinhos.
A chegada do navio patrulha HMS Trent rompe uma frágil trégua entre os dois países depois da reunião em São Vicente e Granadinas entre Maduro e o presidente guianense, Irfaan Ali, na qual ambos se comprometeram a não criar um conflito militar. Segundo Caracas, a chegada da embarcação viola o compromisso estabelecido no encontro, em 14 de dezembro, ao qual o Itamaraty se refere na nota.
Com informações de O Globo.





