A próxima reunião sobre o território de Essequibo vai ser realizada no Brasil com representantes da Venezuela e da Guiana. A informação foi divulgada pelo primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas — país sede do primeiro encontro entre os presidentes Nicolás Maduro e Irfaan Ali para tentar resolver o impasse.
O encontro entre Maduro e Ali aconteceu nesta quinta-feira (14) para tentar resolver o conflito iniciado depois da Venezuela fazer um referendo e anunciar que iria incorporar ao próprio território uma área que faz parte da Guiana, conhecida como Essequibo.
O primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, afirmou que Guiana e Venezuela concordaram em evitar uma escalada no conflito.
Os dois países também se comprometeram em dialogar para resolver assuntos pendentes relacionados à disputa territorial.
Uma declaração final de três páginas sobre o encontro foi divulgada na noite desta quinta-feira. Entre os pontos acordados por Venezuela e Guiana estão:
- Não fazer ameaças ou o uso da força em quaisquer circunstâncias;
- Controvérsias entre os dois países serão resolvidas de acordo com o que rege o direito internacional;
- Os dois se comprometeram em buscar coexistência pacífica e unidade da América Latina e Caribe;
- Ambos ficaram cientes sobre a controvérsia envolvendo a fronteira entre os dois países e a decisão do Tribunal Internacional de Justiça sobre o tema;
- Concordaram em continuar os diálogos sobre questões pendentes;
- Acordaram em se abster, de palavras ou ações, que resultem em escalada do conflito. Em caso de qualquer incidente envolvendo o conflito, Guiana e Venezuela terão que se comunicar entre si. Além disso, a Comunidade do Caribe (Caricom), a Comunidade da América Latina e do Caribe (Celac) e o presidente do Brasil serão acionados para reverter e prevenir novos incidentes;
- Estabeleceram uma comissão conjunta com ministros das Relações Exteriores para tratar questões mutuamente acordadas;
- Definiram como interlocutores: Ralph Gonsalves, primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas; Roosevelt Skerrit, primeiro-ministro de Dominica; e o presidente Lula. António Gueterres, secretário-geral da ONU, foi nomeado observador.
Guiana e Venezuela se reunirão novamente no Brasil, nos próximos três meses, ou em outra data acordada, para discutir novamente o assunto.
A possibilidade de um diálogo entre as partes só aconteceu dias depois, quando, após uma conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Maduro falou sobre a necessidade de dialogar com a Guiana.
No sábado (9), o presidente da Guiana e o premiê de São Vicente e Granadinas anunciaram o encontro e disseram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi convidado para a reunião, para participar como observador – mas Brasília optou por enviar Celso Amorim.
Em carta endereçada nesta semana ao premiê de São Vicente e Granadinas, o líder venezuelano defendeu o diálogo para resolver a crise – a Venezuela reivindica o território de Essequibo, uma área maior que a Inglaterra e o estado do Ceará, que atualmente faz parte da Guiana. Na semana passada, seu governo realizou um referendo sobre a anexação da região.
Com informações do G1.





