Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, confirmou hoje (11) sua participação na reunião com o presidente da Guiana, Irfaan Ali, na próxima quinta-feira (14), que terá a presença de Celso Amorim representado o Brasil.
Esta é a primeira vez que Maduro assegura a presença no encontro, que ocorrerá em São Vicente e Granadinas, país do Caribe, e será intermediado pelo Brasil.
Em carta endereçada ao primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, o líder venezuelano defendeu o diálogo para resolver a crise – a Venezuela reivindica o território de Essequibo, uma área maior do que a Inglaterra e o estado do Ceará, que atualmente faz parte da Guiana. Na semana passada, seu governo realizou um referendo sobre a anexação da região.
No entanto, Maduro reafirmou também no documento o direito “legítimo” da Venezuela sobre Essequibo e disse que vai querer debater, no encontro, a “interferência” dos Estados Unidos na disputa.
Na semana passada, após o governo venezuelano lançar um novo mapa oficial contemplando a região guianesa, os Estados Unidos anunciaram sobrevoos militares sobre Essequibo e o resto da Guiana. Caracas chamou as manobras de provocação.
“Nossa posição sempre foi a via de diálogo com a Guiana, para conseguir uma solução prática ao embate (…). Desejo que (o encontro) se transforme em um ponto de partida para o retorno às negociações diretas entre ambos os países”, disse Maduro, na carta que ele mesmo divulgou em suas redes sociais.
No sábado (9), o presidente da Guiana e o premiê de São Vicente e Granadinas anunciaram o encontro e disseram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi convidado para a reunião, para participar como observador. O governo brasileiro afirmou que enviará o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim.
Nesta segunda-feira, a Casa Branca procurou o governo brasileiro pedindo ajuda para acalmar situação entre Venezuela e Guiana.
A Venezuela afirma ser a verdadeira proprietária de Essequibo, um trecho de 160 quilômetros quadrados que corresponde a cerca de 70% de toda a Guiana e atravessa seis dos dez estados do país. A realização do referendo reacendeu a disputa de décadas e o temor de um conflito armado na fronteira com o Brasil.
O território de Essequibo é disputado pela Venezuela e Guiana há mais de um século. Desde o fim do século 19, está sob controle da Guiana. A região representa 70% do atual território da Guiana e lá moram 125 mil pessoas.
Na Venezuela, a área é chamada de Guiana Essequiba. É um local de mata densa e, em 2015, foi descoberto petróleo na região. Estima-se que na Guiana existam reservas de 11 bilhões de barris, sendo que a parte mais significativa é “offshore”, ou seja, no mar, perto de Essequibo. Por causa do petróleo, a Guiana é o país sul-americano que mais cresce nos últimos anos.
A Guiana afirma que é a proprietária do território porque existe um laudo de 1899, feito em Paris, no qual foram estabelecidas as fronteiras atuais. Na época, a Guiana era um território do Reino Unido. Tanto a Guiana quanto a Venezuela afirmam ter direito sobre o território com base em documentos internacionais.
A Corte Internacional de Justiça decidiu em 1 de dezembro que a Venezuela não pode tentar anexar Essequibo e que isso valia para o referendo.
A Guiana havia pedido para que a corte tomasse uma medida de emergência para interromper a votação na Venezuela.
Em abril, a Corte Internacional de Justiça afirmou que tem legitimidade para tomar as decisões sobre a disputa. Esse órgão é a corte mais alta da Organização das Nações Unidas (ONU) para resolver disputadas entre Estados, mas não tem como fazer suas determinações serem cumpridas.
A decisão final sobre quem é o dono de Essequibo ainda pode demorar anos.
Com informações do G1.





