Lula ouve de Maduro que Venezuela terá eleições no segundo semestre deste ano; Essequibo não foi tema do encontro

Há a percepção no governo que os recentes acontecimentos indicam que o acordo estabelecido entre o governo venezuelano e a oposição não está sendo cumprido

Durante o encontro bilateral realizado nesta sexta-feira (1) na 8ª Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em São Vicente e Granadinas, Nicolás Maduro, líder venezuelano, afirmou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que haverá eleições em seu país no segundo semestre deste ano. A informação foi compartilhada ao jornal O Globo por uma fonte com acesso à reunião.

O governo brasileiro manifestou sua preocupação com a situação na Venezuela. Há uma percepção no Palácio do Planalto e no Itamaraty de que os recentes acontecimentos no país vizinho, como a prisão e a inelegibilidade de adversários políticos de Maduro, indicam que o acordo estabelecido entre o governo venezuelano e a oposição não está sendo cumprido. O acordo, firmado em Barbados no fim do ano passado, previa a realização de eleições livres, justas e transparentes.

Os Estados Unidos, que haviam relaxado algumas sanções econômicas à Venezuela após o pacto, anunciaram que voltarão a adotar as restrições. O assunto foi discutido na semana passada em Brasília durante reunião entre Lula e o secretário de Estado americano, Antony Blinken, que esteve no país para participar do encontro de chanceleres do G20.

Além da situação política na Venezuela, outros temas foram abordados na conversa entre os dois presidentes. Lula e Maduro discutiram, por exemplo, a colaboração conjunta na luta contra a atividade ilegal de garimpeiros em áreas yanomamis em ambos os países.

Maduro também ressaltou que a economia venezuelana está mostrando sinais de melhora, com a redução da inflação e o crescimento.

Os dois presidentes também trataram da dívida da Venezuela com o Brasil, estimada em mais de US$ 2 bilhões, com o objetivo de facilitar um aumento nas trocas comerciais bilaterais de bens e serviços.

A crise entre a Guiana e a Venezuela, devido à disputa de Maduro pela região de Essequibo, rica em petróleo e localizada no território guianense, não foi discutida no encontro, conforme afirmou Lula na quinta-feira anterior. Ele, que se encontrou dois dias antes com o presidente da Guiana, Irfaan Ali, durante uma reunião de líderes caribenhos no país, mencionou que o assunto não foi abordado durante a conversa.

Lula também fez uma reunião bilateral com o presidente da Bolívia, Luis Arce. Ele ainda participará de uma cerimônia de assinatura de acordo de serviços aéreos entre Brasil e Antígua e Barbuda, além de uma audiência com a secretária de Relações Exteriores do México, Alicia Bárcena.

Pela manhã, Lula se reuniu com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, com o ministro das Relações Exteriores do Chile, Alberto van Klaveren, e com Bárcena para discutir o conflito em Gaza. O restante do dia do chefe do Executivo será dedicado à cúpula da Celac. Ele retornará a Brasília às 19h20.

Com informações de O Globo.

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