O Ministério das Relações Exteriores (Palácio do Itamaraty) disse em nota na noite desta terça-feira (23) que não comentará a resposta do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nesta segunda (22), Lula afirmou que ficou assustado com a ameaça de Maduro, em discurso, de que haverá banho de sangue na Venezuela caso ele não ganhe a eleição marcada para este fim de semana.
Em resposta a Lula, Maduro disse mais cedo nesta terça que quem está assustado deveria tomar chá de camomila.
– Eu não disse mentiras. Apenas fiz uma reflexão. Quem se assustou que tome um chá de camomila – falou Maduro, sem mencionar o nome de Lula.
Apesar de o Itamaraty não comentar oficialmente, a fala de Maduro não pegou bem na diplomacia brasileira, que viu na provocação um sinal de fraqueza: “Você já viu candidato ganhador com essa atitude na véspera de eleição?”, disse um diplomata em reservado.
No Palácio do Planalto, a reação também foi de incômodo e constrangimento com as declarações do presidente venezuelano, às vésperas do pleito. Além de dois observadores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o governo também enviará a Caracas o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, para acompanhar o processo eleitoral.
No início do mandato, no ano passado, Lula fez movimentos para criar pontes de diálogo com Maduro e tentar reintegrar a Venezuela ao continente.
Ao contrário do antecessor, Lula tem interlocução com Maduro. Lula também evita condenar atitudes antidemocráticas e totalitárias do governo vizinho. A estratégia, segundo interlocutores do governo, é manter uma posição que possa influenciar uma retomada da democracia na Venezuela sem grandes atritos políticos e sem apartar o país de Maduro do resto do continente.
O objetivo do governo brasileiro é que as eleições sejam democráticas e transparentes. Porém, Maduro desde então tomou atitudes que desagradaram o Palácio do Planalto.
O comitê eleitoral venezuelano tirou da disputa duas opositoras: Maria Corina Machado, desqualificada pela Controladoria da Venezuela, e Corina Yoris, que não conseguiu ao acessar o sistema automatizado do CNE por razões não especificadas.
Isso foi lido pelo Brasil e pela comunidade internacional como um indicador de interferência política no pleito. Agora, a ameaça de “banho de sangue” caso Maduro não vença.
A diplomacia brasileira vem lembrando à Venezuela para cumprir o Acordo de Barbados. O acordo foi feito entre o governo venezuelano e a oposição, com a mediação da Noruega. É parte dos esforços para resolver a crise política na Venezuela. As negociações em Barbados ocorreram em 2019, com o objetivo de encontrar uma solução pacífica e democrática para os conflitos no país.
Os principais pontos de discussão incluíram a realização de novas eleições livres e justas, o levantamento de sanções internacionais e o estabelecimento de condições que garantissem a participação equitativa de todas as partes envolvidas no processo político
Com informações do g1.





