Lula ironiza quem atribui indicadores positivos ao acaso e pede voto em ‘quem tem sorte’

Presidente discursou na Conferência Nacional do Trabalho, exaltou indicadores econômicos e defendeu o fim da escala 6×1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um pedido de voto nesta terça-feira (3) durante a 2ª Conferência Nacional do Trabalho, realizada em São Paulo. Ao encerrar o discurso, ele ironizou o argumento de que seria um governante “de sorte” diante de indicadores econômicos positivos e orientou o público a escolher, nas eleições, “quem tem sorte”.

A declaração foi transmitida ao vivo pelos canais oficiais do governo federal. No palco, Lula citou números relacionados à inflação, desemprego, crescimento da massa salarial e produção agrícola como exemplos do que classificou como resultados favoráveis da atual gestão.

“Eu sou um cara de muita sorte”, afirmou o presidente, acrescentando que o ministro da Fazenda poderia confirmar os dados econômicos apresentados. Em tom bem-humorado, concluiu: “Então se preparem quando chegar a eleição, e na eleição votem em quem tem sorte”.

Agenda em São Paulo e defesa da indústria nacional

Antes da conferência, Lula visitou uma indústria de biotecnologia em Valinhos, no interior paulista, responsável pela produção de medicamentos de alta complexidade destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A agenda incluiu ainda o encontro na capital com representantes de sindicatos, empresários e integrantes do governo.

O presidente esteve acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e de quatro ministros de Estado. Também participaram da comitiva Fernando Haddad (Fazenda), Luiz Marinho (Trabalho), Márcio França (Empreendedorismo) e Simone Tebet (Planejamento), além do presidente nacional do PT, Edinho Silva.

Nas duas agendas, Lula e os auxiliares evitaram falar com a imprensa. Durante os discursos, houve elogios à tecnologia aplicada na indústria farmacêutica e defesa de políticas voltadas ao fortalecimento da economia e do emprego.

Debate sobre a escala 6×1 e críticas ao “terrorismo”

Um dos principais pontos abordados no evento foi a proposta de revisão da chamada escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa um. O presidente defendeu o debate sobre a redução da jornada e criticou o que classificou como “terrorismo” de empresários que apontam possíveis prejuízos bilionários com a mudança.

Segundo Lula, não há solução única para todas as categorias profissionais. Ele ressaltou que eventuais alterações precisam considerar as especificidades de cada setor e ser resultado de negociação. “A coisa mais perfeita que podemos tirar de uma negociação é aquilo que contempla a maioria”, afirmou.

Ministros e aliados destacaram que a tendência internacional aponta para a redução da carga horária e argumentaram que o avanço tecnológico desde a promulgação da Constituição de 1988 deve ser levado em conta na discussão. Simone Tebet afirmou que o país pode debater o tema sem comprometer a economia, desde que haja diálogo e proteção aos micro e pequenos empresários.

Expectativa eleitoral e cenário em São Paulo

Apesar do tom político do discurso, Lula não anunciou candidaturas para as eleições deste ano em São Paulo. Havia expectativa sobre uma possível confirmação do nome de Fernando Haddad para disputar o governo estadual contra Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Haddad é apontado como favorito dentro do PT para enfrentar novamente o atual governador. Alckmin também é citado como alternativa competitiva, mas ambos evitam confirmar disposição para a disputa neste momento. O vice-presidente, que já comandou o estado, tem sinalizado preferência por permanecer na chapa presidencial.

A comitiva reuniu ainda nomes cotados para cargos majoritários em São Paulo, seja ao governo ou ao Senado, mantendo o cenário eleitoral em aberto. Enquanto isso, o discurso do presidente reforça o tom político da agenda e antecipa o clima da corrida eleitoral.

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