O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por videochamada, na manhã desta segunda-feira (6), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O diálogo, que estava marcado para começar às 10:30 (horário de Brasília), ocorre em um momento de alta tensão diplomática entre os dois países, após o governo estadunidense impor novas tarifas a produtos brasileiros, atingindo setores estratégicos como o aço, o alumínio e o etanol.
Os ministros Geraldo Alckmin (Desenvolvimento Industrial), Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) estavam no Palácio da Alvorada e também participaram da conversa.
Tentativa de distensão nas relações
De acordo com fontes do Ministério das Relações Exteriores, o contato foi articulado entre o Itamaraty e a Casa Branca ao longo do fim de semana. O objetivo da conversa, segundo diplomatas brasileiros, foi evitar uma escalada nas medidas de retaliação e buscar alternativas para preservar o fluxo de comércio bilateral.
Lula deve aproveitar a conversa para reiterar que o Brasil busca uma solução negociada para o impasse comercial e defender a manutenção de um fluxo aberto de comércio entre os dois países.
De acordo com fontes do governo, a videochamada também deve servir como preparação para um possível encontro presencial entre Lula e Trump ainda neste mês, à margem de uma reunião internacional na Malásia, onde os dois presidentes poderão aprofundar as discussões sobre o tema.
O Palácio do Planalto ainda não divulgou uma nota oficial detalhando os temas abordados e o tom do diálogo entre os presidentes, o que deve ser feito em breve.
Contexto da crise comercial
As tensões entre Brasil e Estados Unidos se intensificaram após o anúncio, por Trump, de um pacote de tarifas que ele classificou como medidas de “proteção à indústria” de seu país. As sobretaxas atingem dezenas de produtos importados, com destaque para commodities brasileiras.
Em resposta, o governo Lula vinha avaliando a adoção de contramedidas, como restrições a importações dos EUA, mas optou por tentar resolver o impasse pela via diplomática. O Itamaraty vem insistindo em que o comércio bilateral continue em bases previsíveis e equilibradas, argumentando que as tarifas prejudicam não apenas o Brasil, mas também empresas e consumidores estadunidenses.
A videochamada desta segunda-feira marca, assim, o primeiro gesto público de aproximação entre os dois líderes desde o início da crise — um movimento que pode definir os rumos da relação entre Brasília e Washington nos próximos meses.






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