Lula e Macron defendem fortalecimento da ONU ao discutir Conselho da Paz criado por Trump

Presidentes defendem multilateralismo, discutem Venezuela e prometem avançar no acordo Mercosul-União Europeia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone nesta segunda-feira com o presidente da França, Emmanuel Macron, para discutir a proposta de criação de um Conselho da Paz apresentada pelos Estados Unidos e outros temas da agenda internacional. Segundo informou o Palácio do Planalto, ambos concordaram que iniciativas voltadas à paz e à segurança globais devem reforçar o papel das Nações Unidas e respeitar seus marcos institucionais.

De acordo com a nota oficial, os dois líderes analisaram a proposta do Conselho da Paz — estrutura idealizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, com foco inicial na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza. Para Lula e Macron, qualquer iniciativa desse tipo precisa estar alinhada aos mandatos do Conselho de Segurança da ONU e aos princípios previstos na Carta das Nações Unidas.

“Defenderam, a esse respeito, o fortalecimento das Nações Unidas e coincidiram que iniciativas em matéria de paz e segurança devem estar alinhadas aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios e propósitos da Carta da ONU”, afirmou o Planalto em comunicado.

Venezuela e condenação ao uso da força

Durante a conversa, os presidentes também abordaram a situação da Venezuela. Lula e Macron condenaram o uso da força em desacordo com o direito internacional e reforçaram a necessidade de soluções diplomáticas para crises regionais, em consonância com o multilateralismo defendido por ambos os governos.

O diálogo com o presidente francês ocorreu no mesmo dia em que Lula falou por telefone com Donald Trump. Na conversa com o líder norte-americano, o presidente brasileiro sugeriu que o Conselho da Paz tenha atuação restrita à questão humanitária e à situação específica da Faixa de Gaza. Lula também defendeu que a Palestina tenha um assento dedicado nos debates do órgão.

Reforma da ONU volta à pauta

Ainda no contato com Trump, Lula retomou uma pauta histórica da diplomacia brasileira: a reforma ampla da Organização das Nações Unidas. O presidente voltou a defender a ampliação do número de membros permanentes do Conselho de Segurança, argumento que tem sido reiterado pelo Brasil em fóruns internacionais como forma de tornar o sistema mais representativo e adequado à realidade geopolítica atual.

Acordo Mercosul-União Europeia

Outro tema central da conversa entre Lula e Macron foi o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O presidente brasileiro reafirmou que considera o tratado positivo para ambos os blocos e destacou que o acordo representa uma contribuição relevante para a defesa do multilateralismo e do comércio internacional baseado em regras.

Apesar disso, o acordo enfrenta forte resistência na França, especialmente entre agricultores, que pressionam o governo de Macron contra a entrada de produtos brasileiros no mercado europeu. O governo francês sustenta que o texto não assegura proteção suficiente ao setor agrícola europeu, preocupação que acompanha as negociações desde o início.

Segundo o Planalto, Lula e Macron se comprometeram a orientar suas equipes técnicas a avançar nas negociações em curso, com o objetivo de concluir acordos ainda no primeiro semestre de 2026. A Comissão Europeia, por sua vez, ainda pode optar pela aplicação provisória do tratado, mesmo diante das resistências internas em alguns países do bloco.

Tratado histórico para o Mercosul

O acordo Mercosul-União Europeia foi assinado pelos dois blocos em 17 de janeiro e é considerado um marco histórico. Anfitrião do evento e presidente temporário do Mercosul, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, classificou o tratado como um “feito histórico” e afirmou que o pacto envia uma mensagem clara em favor do comércio internacional, do diálogo e da cooperação entre os países.

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