Comandante dos Bombeiros justifica prisão de ex-subcomandante: ‘Violou as normas éticas e morais da corporação’

Tarciso Salles diz que os relatos das vítimas são incompatíveis com os valores da corporação e justificam a punição disciplinar.

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, cel. Tarciso Salles, afirmou que a detenção do seu ex-subcomandante, cel. Lauro Botto, se fez necessária diante da gravidade dos atos praticados pelo subordinado. Acusado de assédio moral e sexual, Botto cumprirá prisão administrativa por 15 dias no quartel de Nova Iguaçu, a partir desta quarta-feira (24/06). Após a denúncia, Botto foi imediatamente exonerado do cargo.

“Ele, lamentavelmente, violou as normas éticas e morais de conduta. É inaceitável”, comentou Tarciso.

Segundo o Corpo de Bombeiros, Lauro Botto teria realizado abordagens, no mínimo, inadequadas a cinco subtenentes integrantes da banda de música. Em mensagens privadas, comentava fotos das subordinadas com frases de duplo sentido. Algumas das vítimas eram casadas com soldados da própria corporação, o que aumentou o mal-estar e o constrangimento na tropa.

As cinco subtenentes resolveram denunciá-lo à Corregedoria, que abriu imediatamente processo administratico disciplinar para apurar os fatos. Os depoimentos das vítimas e do acusado levaram o comando a decidir pela punição administrativa de detenção por 15 dias.

Defesa nega irregularidades

Desde o surgimento das acusações, o ex-subsecretário tem negado a prática de irregularidades. Em manifestações públicas, afirmou não ter cometido os atos atribuídos a ele e contestou a narrativa apresentada pelas denunciantes. Veja a nota da defesa na íntegra:

Em resposta à matéria publicada pelo portal Agenda do Poder, a defesa do Coronel Lauro Botto esclarece alguns fatos que a reportagem não retrata com precisão.

  1. AS MILITARES NÃO DENUNCIARAM À CORREGEDORIA

A matéria afirma que as militares “resolveram denunciá-lo à Corregedoria”. Isso não é o que os autos registram.

Os primeiros relatos foram colhidos em uma reunião online, conduzida por uma Tenente-Coronel, que levou as informações ao Chefe de Gabinete da SEDEC. O Chefe de Gabinete levou ao Comandante-Geral. Foi o próprio Comandante-Geral quem determinou que os depoimentos fossem tomados ali mesmo, na Chefia de Gabinete — isso está registrado no depoimento do próprio Chefe de Gabinete nos autos.

As militares não procuraram a Corregedoria. Foram convocadas a depor por ordem do Comandante-Geral, em ambiente e por autoridades sem competência legal para tal, antes mesmo da instauração de qualquer sindicância.

  1. AS PRÓPRIAS NORMAS DO CBMERJ FORAM DESCUMPRIDAS

A Portaria CBMERJ nº 1.264/2024 — assinada pelo próprio Comandante-Geral Tarciso Salles — determina que denúncias de assédio sejam encaminhadas à Corregedoria Interna por canais específicos, com suporte psicológico especializado e tramitação sigilosa. O Comitê da Mulher Bombeiro Militar deveria ter sido acionado desde o início.

Nada disso aconteceu. Os depoimentos foram tomados na Chefia de Gabinete, por ordem direta do Comandante que hoje fala em “normas éticas” — as mesmas normas que ele próprio descumpriu.

As consequências foram documentadas nos próprios autos: uma das militares declarou que, na semana em que foi convocada pelo Comandante-Geral a prestar depoimentos, ficou doente — teve febre e dores de cabeça durante dias. Não foi o Coronel Lauro Botto quem a adoeceu. Foi a forma como o Comandante conduziu o processo.

O descumprimento das normas internas não protegeu as militares. Prejudicou a todas as pessoas envolvidas.

  1. FOI O CEL LAURO BOTTO QUEM PEDIU A SINDICÂNCIA

Após ser comunicado de sua exoneração antes de qualquer contraditório, foi o próprio Coronel Lauro Botto quem insistiu pela instauração formal da sindicância — convicto de que os fatos apurados não configuram qualquer ilícito.

Foi também a defesa — não o Comando — quem requereu expressamente o envio dos autos ao Ministério Público e ao Governador do Estado, para apuração independente. Confiante de que uma análise isenta evidenciará tanto a inocência do Coronel quanto as irregularidades cometidas na condução deste processo.

O Coronel Lauro Botto aguarda a decisão da Justiça.”

A detenção disciplinar é uma das sanções previstas na legislação militar para situações consideradas incompatíveis com os deveres funcionais dos agentes.

MP analisa inquérito

O conjunto de indícios contra Lauro Botto foi encaminhado ao Ministério Público para eventual denúncia pela prática dos crimes de assédio sexual e assédio moral.

“Não podemos tolerar esse tipo de comportamento em nosso meio. O que nos foi relatado é indigno e moralmente inaceitável”, criticou o comandante.

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