O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (13) que não acredita na imposição de um novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A declaração foi dada durante visita ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em São José dos Campos (SP), a apenas dois dias do prazo estabelecido pelo governo norte-americano para anunciar a decisão sobre uma possível sobretaxa às exportações brasileiras.
Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de novas barreiras comerciais, Lula foi categórico ao responder que “não vai ter tarifaço”, demonstrando confiança no desfecho das negociações entre os dois países.
Governo tenta evitar sobretaxa antes do prazo final
Apesar da confiança demonstrada pelo presidente, integrantes do governo brasileiro seguem mobilizados para tentar impedir a adoção das tarifas adicionais propostas pelos Estados Unidos.
A estratégia é buscar uma última reunião com representantes da administração do presidente Donald Trump antes da divulgação do relatório definitivo do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), prevista para os próximos dias.
Nos bastidores, integrantes da equipe econômica reconhecem que existe a possibilidade de a sobretaxa ser confirmada, mas trabalham para ampliar a lista de produtos que poderiam ficar de fora da medida.
Relatório prevê taxa de 25% sobre produtos brasileiros
O relatório preliminar divulgado pelo USTR em 1º de junho sugeriu a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos importados do Brasil, sob a justificativa de supostas práticas comerciais consideradas desleais.
A proposta, no entanto, preserva boa parte dos produtos agropecuários brasileiros, que permaneceriam fora da cobrança extra caso a recomendação seja mantida na versão final do documento.
Representantes do setor produtivo também acompanham as negociações e avaliam que a adoção da sobretaxa é um cenário provável, embora ainda exista expectativa de ampliação da lista de exceções.
Brasil mantém negociações por via diplomática
À frente das negociações brasileiras estão os ministros Márcio Elias, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e Mauro Vieira, das Relações Exteriores, que buscam construir um entendimento com as autoridades norte-americanas.
Pelo lado dos Estados Unidos, as conversas são conduzidas pelo representante comercial Jamieson Greer, indicado pelo presidente Donald Trump para liderar as tratativas.
Na última sexta-feira (10), Lula reuniu ministros para definir os últimos passos da estratégia brasileira. Ficou estabelecido que o país continuará priorizando o diálogo diplomático, mas sem abrir espaço para negociações envolvendo temas considerados estratégicos para a soberania nacional, entre eles o sistema de pagamentos Pix.
Cenário político também influencia negociações
Além das tratativas comerciais, o governo acompanha os possíveis desdobramentos políticos da decisão americana.
Entre as hipóteses consideradas, embora vista como remota, está um eventual adiamento da aplicação das tarifas por parte do governo dos Estados Unidos. Nos bastidores, essa possibilidade é mencionada em razão dos impactos que uma decisão imediata poderia ter sobre o cenário político brasileiro.
Enquanto a definição não é anunciada, o governo federal mantém o esforço diplomático para evitar prejuízos às exportações brasileiras e reduzir os impactos de uma eventual medida tarifária sobre setores estratégicos da economia.






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