Lula defende proibir ‘jogo do tigrinho’ e cassino virtual em rede nacional de TV

Em pronunciamento pelo Dia da Mulher, presidente também defendeu o fim da escala de trabalho 6×1 e destacou medidas de combate à violência contra mulheres no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (7) que pretende defender no Congresso Nacional a aprovação de uma lei que impeça o funcionamento de jogos de azar virtuais no Brasil, como o chamado ‘jogo do tigrinho’. A declaração foi feita durante pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão em referência ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.

Durante o discurso, o presidente argumentou que não faz sentido permitir a operação de cassinos virtuais enquanto os cassinos físicos seguem proibidos pela legislação brasileira. Segundo Lula, o governo pretende discutir com parlamentares formas de restringir esse tipo de plataforma digital.

— Os cassinos são proibidos no país. Não faz sentido que o “tigrinho” seja permitido. Vamos trabalhar no Congresso Nacional para colocar fim ao cassino virtual — declarou.

Apostas online e regulamentação

As plataformas de apostas online passaram a ter regras específicas no Brasil após a aprovação de uma lei no Congresso no final de 2023, sancionada pelo próprio governo federal. A proposta original, enviada pelo Ministério da Fazenda, tinha como objetivo regulamentar as apostas esportivas, conhecidas como “bets”, que já operavam no país sem regulamentação formal.

Durante a tramitação na Câmara dos Deputados, o relator do projeto, o deputado Adolfo Viana (PSDB-BA), incluiu no texto a autorização para jogos online, categoria que engloba cassinos virtuais como o popular “jogo do tigrinho”.

O Senado chegou a restringir a proposta para limitar a regulamentação apenas às apostas esportivas, mas a Câmara restabeleceu a autorização para jogos online antes da aprovação final. A lei acabou sendo sancionada em dezembro de 2023.

Debate sobre o fim da escala 6×1

No mesmo pronunciamento, Lula também voltou a defender mudanças na jornada de trabalho no país, especialmente o fim da escala 6×1 — modelo em que trabalhadores atuam seis dias consecutivos e têm apenas um dia de descanso.

Segundo o presidente, a alteração poderia melhorar a qualidade de vida da população, principalmente das mulheres, que muitas vezes acumulam trabalho formal e tarefas domésticas.

— Muitas vezes é uma escala dupla. Por isso, é preciso avançar no fim da escala 6×1. Está na hora de acabar com isso para que as pessoas possam ficar mais tempo com a família, descansar e viver — afirmou.

O debate sobre mudanças na jornada de trabalho está em análise no Congresso. Atualmente, uma proposta de emenda à Constituição tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e ainda deverá passar por comissão especial antes de ser votada no plenário.

Combate à violência contra mulheres

O pronunciamento presidencial teve cerca de seis minutos de duração e foi exibido às 20h30. Gravado no Palácio da Alvorada, o discurso abordou principalmente temas ligados à segurança e aos direitos das mulheres.

Logo no início da fala, Lula citou dados sobre feminicídio no Brasil e afirmou que a violência contra mulheres continua sendo um dos maiores desafios sociais do país.

— Amanhã, 8 de março, é o Dia da Mulher. É um momento de reflexão sobre como o nosso país trata as mulheres. A cada seis horas, um homem mata uma mulher. Eu me pergunto que futuro o nosso país dará às mulheres — declarou.

O presidente também mencionou medidas recentes do governo voltadas à proteção das vítimas, como o fortalecimento de políticas de segurança pública e a ampliação de delegacias especializadas no atendimento às mulheres.

— Vamos sim meter a colher. Vamos ampliar as delegacias e fortalecer a segurança pública. A regra é clara: quem agride mulher não pode andar por aí como se nada tivesse acontecido — afirmou.

Estratégia política de olho em 2026

Nos bastidores do Palácio do Planalto, aliados do presidente avaliam que o pronunciamento também faz parte de uma estratégia de comunicação voltada ao eleitorado feminino, considerado decisivo para a disputa presidencial de 2026.

Integrantes do governo avaliam que mulheres representam um público central nas estratégias políticas da gestão federal, especialmente em temas ligados à proteção social, segurança e condições de trabalho.

A avaliação interna é que datas simbólicas, como o Dia Internacional da Mulher, são oportunidades para destacar políticas públicas e reforçar agendas sociais consideradas prioritárias pelo governo.

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