Durante visita oficial à Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a defesa do comércio entre países usando suas próprias moedas, sem recorrer ao dólar. A declaração foi feita em Jacarta, onde foi recebido pelo presidente indonésio, Prabowo Subianto, em um encontro que marcou a assinatura de memorandos e acordos de cooperação em diversas áreas.
Comércio Brasil-Indonésia com potencial de crescimento
Lula destacou que Brasil e Indonésia, juntos, somam quase 500 milhões de habitantes, mas possuem comércio bilateral de apenas US$ 6 bilhões, número considerado baixo pelo presidente. Ele defendeu maior integração comercial e a liberdade de negociar usando moedas nacionais, apontando a necessidade de reduzir a dependência de terceiros países.
Prabowo Subianto afirmou que as relações comerciais entre os dois países podem alcançar US$ 20 bilhões nos próximos anos e reforçou a parceria estratégica entre nações integrantes do G20 e do Brics, sem comentar diretamente sobre o uso do dólar.
Crítica ao protecionismo e defesa do multilateralismo
“Queremos multilateralismo e não unilateralismo. Queremos democracia comercial e não protecionismo”, afirmou Lula. O presidente destacou que Brasil e Indonésia não desejam uma “segunda Guerra Fria” e reforçou a importância do comércio livre entre países, especialmente usando suas moedas próprias nas transações.
Tensão com os EUA sobre o dólar
O posicionamento de Lula contrasta com a política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já ameaçou países do Brics com tarifas caso avancem na substituição do dólar por moedas nacionais ou sistemas de pagamento alternativos. Trump vê a redução do uso do dólar como uma ameaça à economia americana, chegando a comparar a perda do status de moeda de reserva internacional com “perder uma guerra mundial”.
Brics e a busca por independência econômica
O Brics, grupo que reúne inicialmente Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e que recentemente passou a incluir sete novos membros, incluindo a Indonésia, tem discutido alternativas ao dólar como moeda de referência global. Lula já havia defendido a proposta na cúpula do bloco realizada no Rio em julho deste ano.






Deixe um comentário