Dos 31 grupos já anunciados na transição, dois deles ainda não têm sequer um nome apresentado até agora: Inteligência e Defesa. O primeiro reúne órgãos como o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Já o segundo é considerado o mais sensível de todos, sem qualquer previsão de quando terá uma equipe para cuidar da área definida.
Segundo informações do Globo online, o time do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), trabalha para encontrar nomes que sejam, ao mesmo tempo, alinhados com o seu governo e bem recebidos pelas Forças Armadas.
O quebra-cabeça é complexo. De acordo com o coordenador de grupos temáticos, ex-ministro Aloizio Mercadante, a formação do núcleo de Defesa ainda não foi anunciada, pois a equipe não está completa.
— Não é fácil compor todos esses grupos com esta complexidade — disse .
A indefinição sobre o grupo técnico da Defesa na transição reflete também o desafio que Lula terá para indicar um nome para ocupar a pasta em seu novo governo. Isso porque o escolhido para comandar o ministério terá sob sua alçada o Exército, a Aeronáutica e a Marinha, que ganharam protagonismo sob a gestão do presidente Jair Bolsonaro.
Embora não tenha encontrado um nome de consenso, Lula já tem um perfil traçado para a vaga: um civil que já tenha interlocução com militares e a habilidade política para reduzir a participação de integrantes das Forças no governo.
Entre os conselheiros de Lula para essa área, está o ex-ministro Celso Amorim, que ocupou o cargo entre 2011 e 2015, no primeiro governo Dilma Rousseff.
Amorim também comando o Itamaraty durante os dois mandatos de Lula e é visto com reserva por militares, que avaliam que o ex-chanceler “itamaratirizou” a Defesa.
Petistas também afirmam que Amorim, com 80 anos de idade, não deve integrar o primeiro escalão do governo e deve ser chamado para um cargo de assessoramento especial do presidente no Palácio do Planalto.
Outros dois ex-ministros da Defesa são bem avaliados pelas Forças, mas não são considerados candidatos pela equipe de Lula. Ocupante do cargo entre 2015 e 2016, sob a gestão de Dilma Rousseff, Aldo Rebelo é respeitado entre militares, mas não é próximo ao presidente eleito.
Outro nome bem lembrado é de Nelson Jobim, que também foi membro do Supremo Tribunal Federal (STF). Sócio do banco BTG Pactual, ele afirmou para a colunista Bela Megale que não pretende deixar o setor privado para voltar a Brasília.
Na ausência de candidatos, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), que se aposenta do cargo em maio de 2023, tem sido citado como um nome que agrada o presidente eleito.
Na avaliação de integrantes da transição e de militares, a escolha do magistrado geraria ruído com militares devido às críticas feitas por comandantes das Forças a integrantes da Corte.
Na falta de um consenso sobre um nome para o cargo, o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), é considerado um articulador político que tem o respeito da caserna.
Petistas, no entanto, veem como obstáculo o papel que Alckmin ganhou desde que assumiu o comando da transição, protagonizando a gestão do dia a dia dos trabalhos do Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB).
Pessoas próximas de Lula dizem que o vice-presidente eleito deverá assumir, cada vez mais, a função de “gerente” da Esplanada.
Antes de definir o nome que ocupará a Defesa, Lula tem enviado sinais à caserna de que adotará o critério de antiguidade para escolher os comandantes das Forças Armadas.
Embora não seja obrigatório, faz parte da tradição militar o oficial com mais tempo de serviço prestado ser o escolhido. O método, porém, foi desconsiderado por Bolsonaro após dispensar, numa tacada só, os comandantes do Exército, Aeronáutica e Marinha no ano passado.
Caso opte pelos nomes mais antigos de cada Força, o Exército poderá ser assumido pelo general Julio Cesar Arruda, atual chefe do Departamento de Engenharia e Construção. A Força Aérea Brasileira (FAB) ficaria sob a gestão do tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, atual chefe do Estado-Maior da Aeronáutica.
Já a Marinha seria chefiada pelo Almirante Renato Rodrigues de Aguiar Freire, atual chefe de Estado-Maior da Armada. Pessoas próximas a Lula, porém, defendem que o presidente eleito poderia escolher o segundo ou terceiro da escala hierárquica sem gerar estresse com os militares.






4 respostas para “Lula adia escolha de nomes que vão integrar o núcleo de Defesa da transição”