O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (22) que as ações de Israel na Faixa de Gaza representam não apenas um extermínio do povo palestino, mas também uma tentativa de aniquilar a possibilidade de criação de um Estado próprio. O discurso foi feito durante conferência da ONU dedicada à causa palestina e à solução de dois Estados, boicotada por Israel e pelos Estados Unidos.
Críticas ao Conselho de Segurança
Em fala de cerca de cinco minutos, Lula alternou condenações às ofensivas israelenses em Gaza e na Cisjordânia com críticas à paralisia do Conselho de Segurança da ONU. Segundo ele, o veto de países-membros tem sabotado a função essencial da entidade, que seria impedir atrocidades como as que motivaram sua fundação. A declaração foi entendida como um recado direto aos Estados Unidos, que têm barrado resoluções contra Israel.
Referência histórica e direito palestino
O presidente lembrou que a proposta de partilha da Palestina, há 78 anos, foi aprovada em sessão presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, mas apenas o Estado de Israel se concretizou. Lula destacou que os três pilares de uma nação —território, população e governo— estão sendo minados no caso palestino, devido à ocupação e ao avanço dos assentamentos ilegais.
Denúncia de genocídio e processo internacional
Lula retomou conclusões de relatórios da ONU que classificam as ações de Israel como genocídio e ressaltou o apoio do Brasil ao processo movido pela África do Sul contra Tel Aviv na Corte Internacional de Justiça. Ele afirmou que a limpeza étnica está sendo transmitida “em tempo real” e reforçou que a Autoridade Palestina precisa ser fortalecida para governar Gaza.
Condenação ao Hamas e defesa de civis
Apesar de criticar duramente Israel, Lula também voltou a condenar os ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023. Disse que tais atos são inaceitáveis, mas reforçou que o direito de defesa não pode servir de justificativa para a morte indiscriminada de civis palestinos.
Fome e isolamento diplomático dos EUA
O presidente brasileiro chamou atenção para a fome enfrentada por meio milhão de palestinos, comparando o número à população de cidades como Tel Aviv ou Miami. Ele saudou países como França, Reino Unido, Canadá e Portugal, que reconheceram recentemente o Estado palestino, e afirmou que o Brasil manterá restrições a importações de assentamentos ilegais e exportações de material de defesa.
Macron reconhece Estado palestino
Na mesma conferência, o presidente francês Emmanuel Macron oficializou o reconhecimento da Palestina pela França. Segundo ele, trata-se de um ato de dignidade que não retira nada do povo de Israel. A decisão de Paris, somada às de Reino Unido, Canadá, Portugal e Austrália, isola ainda mais os EUA no Conselho de Segurança, já que quatro dos cinco membros permanentes da ONU agora reconhecem o Estado palestino.
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