Londres vive onda de roubos de celulares; saiba o porquê

Capital britânica registrou mais de 80 mil furtos de smartphones em um ano

Londres enfrenta uma verdadeira epidemia de furtos de celulares. Em 2024, cerca de 80 mil aparelhos foram roubados, transformando a capital britânica em um dos epicentros do crime tecnológico na Europa. Após anos tratando o problema como de “baixa prioridade”, a Polícia Metropolitana iniciou uma ofensiva para desmantelar uma rede criminosa que atua do varejo de rua até o tráfico internacional de eletrônicos.

Durante uma série de operações no norte da cidade, policiais invadiram lojas de telefones usados e descobriram 2 mil aparelhos roubados e 200 mil libras (R$ 1,46 milhão) em dinheiro. As investigações apontam que muitos dos dispositivos seguiam escondidos em remessas para Hong Kong, rotulados falsamente como baterias.

Da rua ao contrabando internacional
A investigação começou quando uma mulher rastreou o próprio iPhone até um depósito próximo ao Aeroporto de Heathrow. No local, agentes encontraram quase mil iPhones embalados para exportação. O caso levou à descoberta de uma estrutura “em escala industrial”, segundo o detetive Mark Gavin. Dois suspeitos, apontados como líderes do esquema, foram presos em setembro com dezenas de celulares envoltos em papel-alumínio — técnica usada para bloquear sinais de rastreamento.

A polícia estima que a organização tenha enviado até 40 mil aparelhos roubados para a China, onde o valor de revenda pode ultrapassar US$ 5 mil por unidade (R$ 36 mil). Especialistas afirmam que o país asiático é destino preferido por não aderir a listas internacionais de bloqueio de IMEI, permitindo o uso de dispositivos reportados como roubados.

Lucro fácil e baixo risco atraem ladrões
O roubo de celulares representa 70% dos furtos em Londres, e cresceu 25% em um ano. Com lucros de até R$ 2,1 mil por aparelho, o crime se tornou mais vantajoso e menos arriscado do que o tráfico de drogas, de acordo com o comandante Andrew Featherstone. Apesar de mais de 100 mil aparelhos roubados entre março de 2024 e fevereiro de 2025, apenas 495 suspeitos foram indiciados, o que reforça a sensação de impunidade.

E-bikes e máscaras: o novo perfil do ladrão londrino
Com o avanço das bicicletas elétricas, os criminosos ganharam agilidade. Usando e-bikes de aluguel, balaclavas e capuzes, eles se aproximam das vítimas em movimento e arrancam os celulares das mãos em frações de segundo. Segundo o sargento Matt Chantry, perseguir os infratores pelas ruas congestionadas é “altamente arriscado” e raramente vale a pena diante do perigo para pedestres.

Cortes na polícia e sensação de impunidade
Especialistas apontam que o aumento dos furtos é consequência direta da austeridade imposta na década de 2010, quando o governo britânico reduziu o número de policiais e priorizou crimes graves. A criminóloga Emmeline Taylor, da Universidade de Londres, afirma que “criminosos de baixo escalão perceberam que podiam agir impunes”.

Operações recuperam milhares de iPhones
Nas ações recentes, a polícia recuperou cerca de 4 mil celulares e tenta identificar os proprietários. O objetivo, segundo Featherstone, é desarticular as redes internacionais e restabelecer a confiança da população. As autoridades também reforçam o alerta para que os cidadãos adotem medidas de segurança, evitando usar o aparelho distraidamente nas ruas.

Como resume o professor Lawrence Sherman, da Universidade de Cambridge: “Você não contaria seu dinheiro na rua — mas quando o telefone vale mil libras, é como carregar esse valor nas mãos sem perceber.”

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