Lira reconhece junto a aliados desgaste com projeto antiaborto e vai se debruçar agora em pautas econômicas

Foco do presidente da Câmara agora é aprovar a regulamentação da reforma tributária antes do recesso parlamentar, que começa oficialmente em 18 de julho

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), reconheceu a aliados que enfrentou muito desgaste ao acelerar a tramitação do projeto de lei Antiaborto por Estupro e indicou uma desaceleração nos projetos considerados ideológicos ou polêmicos na Casa.

Lira sinalizou a um dirigente de um partido do centrão que propostas como a proibição de delações premiadas de presos e anistia a partidos políticos só devem ser analisadas no segundo semestre.

O foco de Lira agora é aprovar a regulamentação da reforma tributária antes do recesso parlamentar, que começa oficialmente em 18 de julho. A expectativa é que os dois grupos de trabalho que analisam as propostas da tributária apresentem seus relatórios na primeira semana de julho, para que eles possam ir à votação na semana seguinte.

Desde o início, Lira tem se posicionado como um fiador da reforma tributária, buscando deixar uma marca emblemática para sua gestão.

Após aprovar a urgência do PL Antiaborto por Estupro na semana passada, Lira anunciou que criará uma comissão para debater o projeto, que deverá atuar no próximo semestre.

O recuo de Lira ocorreu após a repercussão negativa do avanço da iniciativa e da falta de respaldo no Senado, onde o projeto também precisaria ser aprovado. Manifestações de rua foram organizadas contra a proposta, com críticas direcionadas ao presidente da Câmara.

Lira reclamou das críticas personalizadas a ele pela repercussão da proposta, classificando-as como improcedentes e de ataque pessoal. Ele demonstrou contrariedade com publicações nas redes sociais feitas por parlamentares de esquerda associando o projeto de lei à alcunha de “PL do Estuprador”, com fotografias dele.

O presidente da Câmara tem sido cobrado por presidentes de siglas a agilizar a PEC que dá anistia a partidos políticos, mas recuou e a tirou de análise depois que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), sinalizou não apoiar a tramitação do texto agora.

Lira avisou que só pautará a PEC da anistia se Pacheco disser que analisará a proposta no Senado, indicando que não quer arcar sozinho com eventuais novos desgastes de pautas polêmicas.

O projeto que proíbe a delação premiada de pessoas presas também teve a urgência aprovada na semana passada em outra votação-relâmpago conduzida por Lira. Há expectativa de que ele segure a aprovação dessa proposta por um tempo.

O Congresso atual é considerado conservador e com forte influência da bancada evangélica. Por isso, Lira colocou em discussão uma série de propostas ligadas a valores e costumes, buscando consolidar apoio desses deputados em torno do nome que escolher para ser seu candidato na disputa pela presidência da Casa em 2025.

Com informações da Folha de S. Paulo.  

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