Lindbergh Farias critica voto de Luiz Fux no STF e diz que ministro “ofusca defesa de Bolsonaro”

No julgamento de Jair Bolsonaro, Fux divergiu de Alexandre de Moraes, pediu anulação do processo e afirmou que não há provas contra o ex-presidente.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, afirmou em publicação no X (antigo Twitter) que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, “ofusca Celso Vilardi”, advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A crítica ocorreu após o voto do magistrado nesta quarta-feira (10), em que apresentou duras divergências em relação ao relator da ação penal, Alexandre de Moraes.

Nas redes, Lindbergh ironizou a sustentação do voto de Fux e comentou: “Bolsonaro admitiu que discutiu a minuta do golpe, os advogados dizem que foi um brainstorm, e o Fux contesta o documento. É muito impressionante!”. Em outra postagem, comparou: “A culpa é do mordomo! Voto de Fux condena o ajudante de ordens e absolve quem dá as ordens!”.

Fux pede anulação do processo e critica conduta de Moraes

Durante o julgamento, Luiz Fux pediu por três vezes a nulidade do processo, alegando que o STF não teria competência para analisar o caso e que ele deveria ser remetido à primeira instância. O ministro também acusou Moraes de restringir o direito de defesa dos réus e chegou a insinuar que a Corte corria risco de se transformar em um “tribunal de exceção”.

Fux destacou que, em sua visão, não há provas concretas contra Jair Bolsonaro e classificou as acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR) como “narrativas”. “Nada saiu do plano da cogitação”, afirmou o ministro, ao defender a absolvição do ex-presidente e de militares acusados de participar da trama golpista.

Reação da defesa e repercussão política

O voto surpreendeu advogados de Bolsonaro e de outros réus, que não esperavam uma posição tão contundente em favor da absolvição. Nos bastidores, mensagens de comemoração circularam entre defensores e apoiadores do ex-presidente. O apresentador Paulo Figueiredo chegou a afirmar que Fux demonstrou “violações de direitos humanos” no processo, argumento usado para contestar a atuação de Moraes.

Apesar de ter condenado envolvidos nos atos de 8 de janeiro em julgamentos anteriores, Fux classificou os manifestantes como “turbas desordenadas” e rejeitou a tese da PGR de que Bolsonaro teria responsabilidade por não desmobilizar os acampamentos golpistas após sua derrota eleitoral em 2022.

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