Caio De Santis (da equipe do blog em Brasília)
Em lados opostos na eleição para a prefeitura do Rio deste ano, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Altineu Côrtes, e o presidente estadual do PSD, Pedro Paulo, deixaram Brasília nesta semana de recesso informal para coordenar os últimos movimentos da janela partidária na capital fluminense. Os dois deputados sabem que construir nominatas fortes e trazer vereadores para os seus partidos é fundamental para eleger Eduardo Paes (PSD) ou Alexandre Ramagem (PL). Os dois líderes contam com a vinda de puxadores de votos para alavancar as suas bancadas e as campanhas para prefeito.
A legenda de Bolsonaro, que atualmente conta com apenas três vereadores, pretende eleger algo entre 10 e 12 edis em outubro. Para isto, se vale de três puxadores de votos: o filho “02” de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, que apostam que será o mais votado na cidade, o vice-presidente do Flamengo, Marcos Braz, e o cantor de pagode Waguinho, que se filiou recentemente à sigla bolsonarista, já foi candidato ao Senado, e é próximo ao pastor Silas Malafaia da Assembleia de Deus. Além de trazer votos, os citados abririam caminho para que Ramagem fizesse campanha em redutos conservadores, religiosos e populares.
Altineu também conta com a chegada de Rogério Amorim ao PL para alavancar os votos. Além disso, o cacique do PL aposta que a legenda “22”, associada a Bolsonaro desde a última eleição, será a mais usada no voto para vereador.
Na outra raia, Pedro Paulo “nada de braçada”, como se diz na linguagem popular. Ao final da janela eleitoral, o presidente do PSD fluminense espera que o partido tenha até 20 dos 51 vereadores do Rio. Entre eles, nomes de peso da política carioca, como o ex-prefeito César Maia e a deputada Rosa Fernandes, que já migraram para o partido de Paes e, além de amealhar até 50 mil votos, cada um, trabalharão como cabos eleitorais pela reeleição do prefeito. Márcio Ribeiro e o presidente da Câmara, Carlo Caiado, completam a lista de “pesos pesados” do partido.
Entretanto, é no arco de apoios que o PSD espera manter o controle das atividades da Câmara do Rio e ter “campo livre” para a campanha de Paes: a base de Paes, atualmente, conta com partidos como PDT, PSB, Solidariedade, Avante, PT e PSDB. As projeções internas do PSD estimam que estes partidos, ao final do pleito, contem com algo acima de 80% do plenário da Câmara Municipal. O PSD ainda conversa, por exemplo, pelo apoio de parte da bancada do União Brasil em importantes votações.
Quem também conduz os trabalhos do seu partido no Rio é o líder do PP na Câmara, Dr. Luizinho. O braço-direito do presidente Arthur Lira tenta aumentar a representatividade do partido na Câmara, onde conta atualmente com dois vereadores. O PP lançou Marcelo Queiroz como pré-candidato à prefeitura, mas as campanhas de Paes e Ramagem ainda tentam uma composição com o apoio da legenda.
À lista de deputados da bancada fluminense da Câmara que voltaram ao Rio para fechar nominatas e consolidar seus planos eleitorais se soma Tarcísio Motta, do PSOL. O parlamentar será o candidato do partido nas eleições deste ano. Esta será a primeira eleição para a Câmara após a prisão dos mentores do assassinato de Marielle Franco, em 2018. Espera-se que o partido consiga eleger cadeiras na Câmara, sob a proposta de “continuidade” do trabalho iniciado pela vereadora, em 2016. A viúva de Marielle, Monica Benício, por exemplo, será candidata.
Caio De Santis é da equipe do blog do Ricardo Bruno em Brasília





