Os efeitos das investigações envolvendo o presidente afastado da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), que nesta quarta-feira (10) entrou com pedido de licença parlamentar de dez dias, começaram a impactar diretamente o andamento dos trabalhos do Legislativo fluminense.
Como a maioria da oposição votou pela manutenção da prisão de Bacellar na segunda-feira (08), a sessão desta quarta (10) marcou o início de uma escalada de tensões e retaliações promovidas por aliados do deputado.
A reação da base foi conduzida por Alexandre Knoploch (PL), que atuou em duas frentes para impedir avanços de propostas apresentadas por parlamentares de esquerda.
De início, ele pediu a retirada de pauta do projeto de Élika Takimoto (PT), que estabelece a capacitação em Libras como critério de desempate em concursos públicos, sob alegação de que existiria um texto semelhante de sua autoria – dois projetos de resolução, um de Zeidan (PT) e outro de Dani Monteiro (Psol), já haviam sido retirados após receberem emendas.
Élika, no entanto, contestou a justificativa e informou que o projeto citado por Knoploch estava arquivado, sem conseguir reverter a retirada de pauta. O líder do governo, Rodrigo Amorim (União Brasil), ainda argumentou que reverter a retirada da pauta criaria um precedente perigoso e prejudicaria a organização futura da ordem do dia.
A discussão envolveu até o episódio do deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ), usado como exemplo por Amorim para justificar uma imposição de narrativa da oposição. Braga ocupou a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em protesto contra a intenção do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de colocar em votação o processo de cassação de seu mandato,.
Diante do impasse, o presidente interino da Casa, Guilherme Delaroli (PL), comprometeu-se a recolocar o projeto de Élika na pauta da próxima sessão. Mas ofensiva de Knoploch continuo quando ele solicitou verificação de quórum no projeto de Yuri Moura (Psol), que cria o programa de pré-natal masculino, interrompendo o andamento da discussão.
Tensão também na CCJ e ameaça de obstrução
A ofensiva governista já havia começado na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), realizada pela manhã, quando o mesmo Knoploch pediu vistas a projetos apresentados por Élika Takimoto, Flávio Serafini (Psol) e Marina do MST (PT).
Durante a ordem do dia, Renata Souza (Psol) reagiu afirmando que a manobra provocaria obstrução nas próximas votações e poderia travar mensagens do governo que aguardam análise, entre elas o orçamento de 2026.
Serafini também criticou a postura do grupo governista, lembrando que já havia discutido o tema com o líder do governo em sessão anterior por divergências sobre a interpretação do regimento.
Até mesmo Douglas Gomes (PL), que votou pela manutenção da prisão de Bacellar, considerou a mobilização da base ruim para o Parlamento, criticando o clima de recrudescimento político.
Trocas de acusações e tentativa de conciliação
O ambiente ficou ainda mais tenso após um bate-boca entre Filippe Poubel (PL) e Professor Josemar (Psol). Poubel acusou o Psol de não cumprir acordos, enquanto Josemar rebateu dizendo que a narrativa era mentirosa e que a manobra regimental estava sendo articulada pela própria base governista.
Diante do acirramento, o presidente interino da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), propôs a realização de um colégio de líderes para tentar pacificar o ambiente e restabelecer o diálogo. Poubel, porém, afirmou que orientaria sua bancada a não aceitar qualquer negociação.
Por fim, uma projeto de Jari Oliveira (PSB) foi retirada de pauta por falta de quórum. Com a licença de Bacellar ampliando a instabilidade política, a Alerj enfrenta um cenário de disputas regimentais, ameaças de obstrução e dificuldades crescentes para dar andamento à sua pauta legislativa.






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