Levantamento aponta temor de conflitos entre Lula, Congresso e STF no quarto mandato

Realizado após a eleição mostra que 70% dos brasileiros esperam atritos com o Congresso, enquanto o otimismo com o novo governo supera o registrado em 2022.

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A quarta vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais aumentou o otimismo dos brasileiros em relação ao próximo governo, na comparação com o cenário registrado em 2022. Ao mesmo tempo, cresceu a preocupação com possíveis conflitos entre o Executivo, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Os dados são da pesquisa inédita da Quaest, intitulada “O Brasil depois das urnas”, realizada após a eleição presidencial. Segundo o levantamento, 70% dos entrevistados esperam atritos entre o governo Lula e o Congresso, que terá uma composição mais à direita. O percentual representa um aumento de 22 pontos em relação à pesquisa feita há quatro anos.

Relação com o Congresso e o STF

A expectativa de dificuldades também aparece na avaliação sobre a relação entre Lula e o Supremo Tribunal Federal. O percentual de brasileiros que acreditam que o relacionamento será mais complicado do que nos quatro anos anteriores passou de 33%, em 2022, para 46% agora.

O resultado ocorre em um momento em que o STF enfrenta questionamentos e denúncias envolvendo ministros no contexto do caso Master. A pesquisa também aponta a percepção de maior possibilidade de embates entre os Poderes no próximo mandato.

Apesar das preocupações, o sentimento em relação ao futuro governo melhorou. Em 2022, 41% dos entrevistados se declaravam otimistas com a gestão que começaria. Agora, são 44%. Já o percentual dos que demonstram preocupação caiu de 54% para 48%.

Aprovação de Lula fica abaixo da de outros reeleitos

A pesquisa também mediu a avaliação do governo Lula depois da vitória eleitoral. O presidente mantém 48% de aprovação, mesmo índice registrado na véspera do segundo turno. A desaprovação recuou um ponto percentual e chegou a 44%.

Com esses números, o governo apresenta saldo positivo de quatro pontos entre aprovação e desaprovação. Apesar disso, Lula tem o menor saldo entre os presidentes reeleitos na comparação histórica apresentada pelo levantamento.

Após a reeleição de 2006, o próprio Lula tinha saldo positivo de 38 pontos. Dilma Rousseff registrou diferença favorável de 18 pontos depois da vitória de 2014. Fernando Henrique Cardoso, em 1998, tinha dez pontos a mais de aprovação do que de desaprovação, segundo a série histórica do Datafolha.

Maioria espera que novo governo tenha sucesso

Outro dado do levantamento mostra que 94% dos entrevistados torcem para que o quarto mandato de Lula seja bem-sucedido. Entre os eleitores identificados como bolsonaristas, 80% também afirmam esperar que o governo dê certo. Outros 19% dizem torcer para que a gestão não tenha um bom desempenho.

A Quaest também perguntou quais características os brasileiros associam ao presidente. Para 73%, Lula é um líder forte. Outros 61% consideram que ele sabe o que está fazendo, enquanto 58% o descrevem como alguém cheio de energia.

A percepção de que o presidente se importa com as outras pessoas aparece entre 55% dos entrevistados. Por outro lado, a honestidade é o atributo com avaliação negativa: 57% afirmam não considerar Lula uma pessoa honesta.

Economia e segurança estão entre os principais desafios

A economia aparece como o principal problema que os brasileiros esperam que Lula enfrente no próximo mandato. Para 27% dos entrevistados, gestão econômica, endividamento e juros são as maiores preocupações.

A segurança pública ocupa a segunda posição, citada por 17% dos participantes. O resultado indica uma distância de dez pontos percentuais entre os dois temas.

A pesquisa também identificou quais promessas de campanha os entrevistados consideram prioritárias. O fim da escala de trabalho 6×1 aparece em primeiro lugar, mencionado por 17%. Em seguida, está a isenção de impostos sobre a cesta básica, com 16%.

Expectativa sobre a economia está dividida

A perspectiva para a economia nos próximos 12 meses também mudou em relação ao cenário posterior à eleição de 2022.

Naquele levantamento, 47% dos brasileiros acreditavam que a economia melhoraria no ano seguinte, enquanto 27% esperavam uma piora. Agora, as duas avaliações estão empatadas: 39% acreditam em melhora e outros 39% esperam uma piora.

Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, os resultados mostram que existe disposição da população para que o governo tenha sucesso, mas também indicam que Lula começa o quarto mandato com uma margem de aprovação menor do que a registrada por outros presidentes reeleitos.

O levantamento aponta, portanto, um cenário de expectativas divididas: há mais otimismo do que em 2022, mas permanecem as preocupações com a economia e com a relação do governo com o Congresso e o STF.

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