Letalidade violenta tem a menor taxa desde 1991 no Rio, mas roubos ainda preocupam

Nenhuma das 20 cidades mais violentas do país fica no estado – em 2023, Itaguaí era a 16ª da lista

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O estado do Rio de Janeiro atingiu, em 2024, a menor taxa de letalidade violenta desde o início da série histórica, em 1991. A informação foi divulgada pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública e confirmada pelos dados mais recentes do Instituto de Segurança Pública (ISP). As mortes violentas intencionais — como homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte — caíram quase 11% no ano passado.

Nenhuma das 20 cidades mais violentas do país fica no estado do Rio de Janeiro – em 2023, Itaguaí era a 16ª da lista.

E quando é feita a comparação entre os estados de todo o Brasil, o Rio aparece em 15º lugar – o ranking se baseia na taxa de mortes por cem mil habitantes.

As mortes causadas por policiais também apresentaram queda significativa: foram 703 vítimas em 2024, contra 871 em 2023, uma redução de 19,3%. Em junho de 2025, a queda foi ainda mais acentuada, com recuo de quase 40% em comparação ao mesmo mês de 2024.

Especialistas atribuem parte desse resultado à ADPF 635, decisão do Supremo Tribunal Federal que impôs limites às operações policiais em comunidades, contribuindo para a reestruturação das práticas das forças de segurança no estado.


Investimentos e operações reforçam combate ao crime

O governo do Rio destaca que os avanços são resultado de um conjunto de medidas estratégicas. Desde 2021, foram investidos mais de R$ 4,5 bilhões em segurança pública. Entre as principais ações estão:

  • Aquisição de 1.714 viaturas e previsão de mais 758 veículos, 470 motocicletas e um helicóptero blindado até 2025;
  • Reestruturação de unidades da PM e ampliação do efetivo, com 2 mil novos policiais já incorporados e outros 2 mil em formação;
  • Expansão do Segurança Presente, com 29 novas bases inauguradas, totalizando 50 em todo o estado;
  • Implantação do sistema de reconhecimento facial, que já resultou na prisão de 1.132 criminosos.

Duas operações de destaque, Torniquete e Rastreio, resultaram, respectivamente, na prisão de mais de 560 criminosos e na recuperação de 5 mil celulares roubados ou furtados.


Crescimento dos roubos ainda desafia segurança pública

Apesar das boas notícias, o Rio de Janeiro segue com desafios importantes. O estado foi o único do país a registrar aumento no número total de roubos em 2024: 106.919 ocorrências, alta de 16,9% em relação ao ano anterior. O roubo de veículos subiu 34%, com quase 31 mil casos — segundo maior crescimento do Brasil.

O roubo de celulares também preocupa: saltou de 15 mil para mais de 21 mil registros, aumento de 38%. Já os dados de junho de 2025 mostram continuidade da tendência: roubos de celulares subiram 27%, e os de carga, 19%.

Outro ponto de atenção é a violência contra a mulher. O estado teve alta em 10 dos 12 indicadores monitorados pelo Fórum de Segurança, incluindo feminicídio, estupro e violência psicológica.


Avanços reconhecidos, mas com alerta ligado

Mesmo com os indicadores positivos de queda na letalidade e melhoria da estrutura policial, os especialistas ressaltam a necessidade de enfrentar os crimes patrimoniais e a violência doméstica com a mesma prioridade. O governo do estado afirma que o trabalho continua focado na integração de inteligência, presença territorial e novas tecnologias.

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