Lava Jato usava prisão como tortura psicológica para obter delações dos acusados

Se havia dúvidas, acabaram: os diálogos entre os operadores da Lava jato de Curitiba mostram que a prisão era usada como instrumento de tortura psicológica para a obtenção de delações premiadas. Este era o modus operandi da dupla Moro/Dallagnol, revelado em reportagem do portal Conjur. Nunca uma transferência foi tão eficiente, rsrsrs”. A frase é…

Se havia dúvidas, acabaram: os diálogos entre os operadores da Lava jato de Curitiba mostram que a prisão era usada como instrumento de tortura psicológica para a obtenção de delações premiadas. Este era o modus operandi da dupla Moro/Dallagnol, revelado em reportagem do portal Conjur.

Nunca uma transferência foi tão eficiente, rsrsrs”. A frase é do procurador Deltan Dallagnol, à época coordenador da frente paranaense da “lava jato”. Foi escrita em “chat” de procuradores no dia 4 de agosto de 2017. A “transferência” a que ele se refere é a de Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil.

Dias antes, em 27 de julho, Bendine tinha sido preso preventivamente na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Mas poderia ser transferido para o Complexo Médico Penal (CMP) — em Pinhais, região metropolitana de Curitiba —, cujas condições são reconhecidamente precárias.

Na conversa, uma outra pessoa tinha dito que Bendine pediu para não ser transferido, sinalizando que poderia fechar um acordo de delação premiada. Foi nesse momento que Deltan ironizou a “eficiência” de uma ameaça de transferência para forçar uma “colaboração”.

O sucinto diálogo deixa claro o que muitos advogados há tempos vêm alertando: o modus operandi do consórcio de Curitiba envolveu decretações de prisão preventiva como forma de pressionar os investigados a fazer acordos de colaboração premiada.

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