Morreu na última quarta-feira (27), aos 80 anos, a montadora Marcia Lucas, profissional que desempenhou papel decisivo na construção de alguns dos filmes mais importantes da história do cinema, incluindo “Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança”. A informação foi divulgada pela família e reportada pela Folha de S. Paulo. Marcia Lucas enfrentava um câncer com metástase e estava em Rancho Mirage, na Califórnia, nos Estados Unidos.
Reconhecida por seu talento na sala de montagem e por sua contribuição criativa em produções que marcaram gerações, Marcia recebeu o Oscar de Melhor Montagem em 1978 pelo trabalho realizado no primeiro filme da franquia Star Wars, obra que se transformaria em um dos maiores fenômenos culturais e comerciais do cinema mundial.
Em nota, familiares destacaram o legado profissional e pessoal deixado pela montadora.
“Marcia será lembrada como uma contadora de histórias brilhante, uma pioneira para as mulheres no cinema, uma mãe e avó amorosa, uma anfitriã generosa e uma amiga leal cujo humor e brilho preenchiam todos os ambientes em que entrava”, afirma a nota da família. Sua influência no cinema é indelével, mas aqueles que a conheciam melhor se lembrarão de como ela tornava a vida mais vívida, mais bonita, mais divertida e mais cheia de amor.”
Uma carreira construída nos bastidores de Hollywood
Marcia Lucas construiu uma trajetória que ajudou a redefinir a importância da montagem na narrativa cinematográfica. Embora seu nome nem sempre aparecesse com o mesmo destaque dos diretores, sua influência foi decisiva para o sucesso de diversas produções.
Ela conheceu George Lucas ainda no início da carreira, quando ambos trabalhavam como assistentes da renomada montadora Verna Fields, profissional que participou de clássicos como o filme Jaws e Paper Moon.
O relacionamento profissional evoluiu para um casamento que durou de 1969 a 1983. Durante esse período, Marcia colaborou diretamente com diversos projetos do cineasta.
Dois anos após a união, ela participou como assistente de montagem do filme THX 1138, primeiro longa-metragem dirigido por George Lucas.
Primeira indicação e consagração no Oscar
O reconhecimento da indústria veio ainda nos anos 1970. Trabalhando ao lado de Verna Fields, Marcia recebeu sua primeira indicação ao Oscar pela montagem de American Graffiti, lançado no Brasil com o título Loucuras de Verão.
A consagração definitiva aconteceu quatro anos depois.
Em 1978, ela conquistou a estatueta de Melhor Montagem por seu trabalho em Star Wars, dividindo o prêmio com Paul Hirsch e Richard Chew.
Na mesma cerimônia, o longa levou ainda outras cinco estatuetas, consolidando-se como um dos maiores sucessos da história da Academia de Hollywood.
O prêmio foi entregue pelos atores Marcello Mastroianni e Farrah Fawcett.
Influência criativa em Star Wars
Além do trabalho técnico de edição, Marcia Lucas teve participação ativa em decisões criativas que ajudaram a moldar a narrativa da saga.
Ao longo dos anos, George Lucas reconheceu publicamente que uma das ideias fundamentais para o desenvolvimento do filme partiu dela.
Segundo relatos do cineasta, foi Marcia quem sugeriu que o personagem Darth Vader eliminasse Obi-Wan Kenobi no desfecho da trama, decisão que se tornaria um dos momentos mais marcantes da franquia.
Seu trabalho de montagem também foi frequentemente apontado por especialistas como essencial para o ritmo, a emoção e a construção dramática que contribuíram para transformar Star Wars em um fenômeno mundial.
Parceria com Martin Scorsese
Embora seja frequentemente lembrada por sua ligação com a saga espacial criada por George Lucas, Marcia também deixou sua marca em importantes produções de outro gigante do cinema americano: Martin Scorsese.
Durante a década de 1970, participou da montagem de filmes como “Alice Doesn’t Live Here Anymore”, “Taxi Driver” e “New York, New York”.
Esses trabalhos ajudaram a consolidar sua reputação como uma das montadoras mais talentosas de sua geração.
Aposentadoria após O Retorno de Jedi
Os últimos créditos de Marcia Lucas como montadora foram registrados em Return of the Jedi, terceiro capítulo da trilogia original de Star Wars.
Curiosamente, o encerramento dessa fase profissional coincidiu com o fim de seu casamento com George Lucas, ocorrido também em 1983.
Após deixar a área de montagem, ela passou a dedicar mais tempo à vida pessoal, embora tenha participado esporadicamente de projetos audiovisuais como produtora.
Entre esses trabalhos estão o longa “No Easy Way”, no qual atuou como produtora executiva, e o curta-metragem “A Good Son”, produzido por ela anos depois.
Legado para o cinema
Marcia Lucas deixa um legado que ultrapassa os prêmios conquistados e os filmes em que trabalhou.
Em uma indústria historicamente dominada por homens, ela ajudou a abrir espaço para mulheres em funções criativas de grande relevância e participou da construção de algumas das obras mais influentes do cinema contemporâneo.
Sua contribuição permanece presente não apenas nos clássicos que ajudou a editar, mas também na maneira como a montagem passou a ser reconhecida como elemento central da narrativa cinematográfica.
Ela deixa as filhas Amanda Lucas, fruto do casamento com George Lucas, e Amy Soper, de sua união com o artista Tom Rodrigues, além de netos e familiares.





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