A estreia da turnê Mayhem de Lady Gaga em solo brasileiro, na noite deste sábado (3), em Copacabana, foi celebrada por fãs como um evento inesquecível. Com uma plateia estimada em 2,1 milhões de pessoas, segundo a Riotur, o megashow entrou para a história como um dos maiores já realizados no país — e com saldo majoritariamente positivo.
O espetáculo, recheado de luzes, cores, figurinos e hits, emocionou a multidão que tomou as areias e a Avenida Atlântica. Mas além da entrega impecável da diva pop, outros aspectos do evento também chamaram atenção: a forte sensação de segurança, a participação vibrante do público e a abertura animada com nomes como Cat Dealers e Pabllo Vittar. Por outro lado, críticas à acessibilidade, visibilidade e infraestrutura não passaram despercebidas.
Segurança e clima de celebração
A exemplo do que ocorreu no show de Madonna em 2024, o esquema de segurança foi considerado eficaz por grande parte do público. Os bloqueios provocaram filas, mas garantiram controle de acesso. A presença constante de policiais em grupos na área do evento contribuiu para a sensação de tranquilidade, algo que muitos cariocas destacaram como surpreendente, dado o histórico de insegurança da cidade.
O carioca Marcus Vinicius Nogueira, de 47 anos, que saiu de Bangu de transporte público, elogiou o clima geral:
— O maior ponto positivo do show é a Lady Gaga. A gente veio pra ver ela. Não importa o que aconteça, só de ter ela no Rio tudo já fica bom.
Público participa como protagonista
Um dos aspectos mais destacados foi o engajamento do público, que cantou em uníssono até as faixas mais recentes do novo álbum de Gaga. A cantora demonstrou surpresa e emoção ao ver que os fãs brasileiros sabiam as letras de cor. Os tradicionais leques, multicoloridos e agitados sem parar, criaram um visual marcante na praia lotada.
A abertura do evento também foi elogiada. O duo Cat Dealers aqueceu a multidão com set de música eletrônica, enquanto Pabllo Vittar comandou um verdadeiro show paralelo com hits e presença de palco.
— A Pabllo levantou a galera. Todo mundo cantando e dançando, foi um show dentro do show — afirmou Marcus Vinicius.
Críticas à estrutura: acessibilidade e visibilidade prejudicadas
Apesar do clima festivo, nem tudo funcionou como deveria. Lorena Rezende, de 21 anos, moradora do Recreio e usuária de cadeira de rodas, relatou dificuldades para acessar a área reservada a pessoas com deficiência (PCD).
— Tentamos entrar na área PCD, mas havia uma multidão na frente que simplesmente não nos deixou passar — contou. — Quando pedimos ajuda aos bombeiros e à polícia, disseram que não podiam fazer nada.
A área havia sido invadida por outras pessoas horas antes e chegou a ser danificada, sendo reparada pouco antes da apresentação. A falta de controle no acesso e a falha em garantir os direitos das pessoas com deficiência geraram indignação entre os espectadores.
Outro problema recorrente foi a ausência de telões voltados para quem estava nas calçadas ou na pista da Avenida Atlântica, o que frustrou uma parte significativa do público, impedida de visualizar o show por conta da superlotação da areia. Havia ainda guarda-sóis abertos à noite e pessoas em banquinhos, o que bloqueava a visão de quem estava atrás. Um grupo de amigos chegou a pagar R$ 600 por dez bancos plásticos para tentar ter uma visão melhor.
Conectividade e área VIP também geram queixas
A superlotação comprometeu o funcionamento dos celulares: muitos fãs não conseguiram usar a internet ou registrar os momentos nas redes sociais. Além disso, a área VIP — extensa e muito cheia — acabou afastando parte do público do palco, o que desagradou os little monsters mais entusiasmados.
Mesmo com esses problemas, o saldo final do evento foi amplamente positivo. A energia da multidão, a entrega artística de Lady Gaga e o clima de celebração transformaram Copacabana em um palco de sonho para milhões de fãs. O desafio agora fica para os organizadores: manter o padrão de segurança e emoção, mas com mais cuidado na estrutura e respeito à inclusão.





