Kevin Warsh é o escolhido de Trump para suceder Powell na presidência do Fed

Escolha reacende debate sobre independência do banco central e enfrenta resistência no Senado dos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira a escolha de Kevin Warsh como o próximo presidente do Federal Reserve, o banco central dos EUA. Warsh, ex-diretor da instituição e um dos quatro nomes finalistas avaliados pelo presidente, havia visitado a Casa Branca na quinta-feira, segundo uma fonte familiarizada com o processo.

Na noite anterior ao anúncio, Trump já havia sinalizado que a definição estava próxima, sem revelar o nome do escolhido. Disse apenas que a decisão não seria surpreendente para o mercado financeiro e que o indicado seria amplamente conhecido no setor.

“Muita gente acha que esse é alguém que poderia ter estado lá alguns anos atrás”, disse Trump.

Após o anúncio oficial, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos e um indicador do dólar calculado pela Bloomberg permaneceram praticamente estáveis, refletindo uma reação contida dos mercados à confirmação de que Warsh substituirá Jerome Powell na presidência do Federal Reserve a partir de maio.

Perfil do novo presidente do Fed

Kevin Warsh é visto por parte dos analistas como uma escolha relativamente hawkish, termo usado para descrever dirigentes mais inclinados ao aperto monetário no combate à inflação. Ele assume o comando do Fed em um momento de tensão entre a Casa Branca e a autoridade monetária, já que Trump, em seu segundo mandato, tem criticado publicamente o banco central por não reduzir os juros com a intensidade que considera adequada.

Esse embate reacendeu preocupações sobre a independência do Federal Reserve na definição da política monetária, responsável por balizar o custo do crédito nos mercados globais.

Observadores de Wall Street destacam que Warsh terá o desafio de construir consenso entre os 12 membros votantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), responsável pelas decisões sobre juros. Nos últimos meses, ele passou a se alinhar mais ao discurso de Trump ao defender publicamente taxas mais baixas, o que contrasta com sua reputação anterior de “falcão” da inflação.

No início da semana, o Fed optou por manter as taxas inalteradas, após tê-las reduzido três vezes no fim de 2025.

Transição e trajetória no banco central

Jerome Powell, nomeado por Trump para a presidência do Fed em 2017, deixará o cargo em 15 de maio. Ele seguirá, no entanto, como membro do Conselho do Federal Reserve até o fim de seu mandato como diretor, previsto para 2028.

Warsh integrou a diretoria do banco central dos EUA entre 2006 e 2011 e também atuou como assessor econômico de Trump. Aos 55 anos, a nomeação representa uma espécie de retorno ao protagonismo, depois de ter sido preterido em 2017, quando Trump optou por Powell para liderar a instituição.

Confirmação no Senado e resistência política

Apesar do anúncio presidencial, a indicação de Warsh ainda precisa ser confirmada pelo Senado dos Estados Unidos. A expectativa é de apoio majoritário entre senadores republicanos. Bill Hagerty, do Tennessee, afirmou que Warsh é “uma escolha muito clara que os mercados aceitariam e apreciariam”.

No entanto, a tramitação promete ser complexa. Um senador-chave do próprio partido de Trump, Thom Tillis, da Carolina do Norte, integrante do Comitê Bancário, declarou que pretende bloquear qualquer indicação ao Fed até que o Departamento de Justiça conclua uma investigação envolvendo a reforma da sede do banco central em Washington.

A apuração também envolve depoimentos de Powell ao Congresso e ampliou as preocupações sobre possíveis interferências políticas na atuação do Fed.

“As indicações para o Fed não vão mudar até que a investigação e a possível denúncia contra o presidente Powell sejam concluídas”, disse Tillis a repórteres no Capitólio na quinta-feira. E continuou: “Cabe ao Departamento de Justiça decidir quando eu retiro esses bloqueios. Eles são retirados no dia em que o caso for julgado ou arquivado”.

Questionado na mesma noite se um indicado à presidência do Fed poderia ser confirmado sem o apoio de Tillis, o líder da maioria no Senado, John Thune, respondeu de forma direta: “provavelmente não”.

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