A Justiça da França decidiu manter a condenação da líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, por desvio de recursos públicos, mas reduziu o período de inelegibilidade imposto à dirigente. Com a nova decisão, a presidente do Reagrupamento Nacional (RN) volta a reunir condições legais para disputar a eleição presidencial prevista para abril de 2027, embora ainda tenha de cumprir parte da pena determinada pelo tribunal.
A sentença estabelece três anos de prisão, sendo dois anos com execução suspensa e um ano em regime aberto, com monitoramento por tornozeleira eletrônica. Ao mesmo tempo, os magistrados reduziram a pena de inelegibilidade para 45 meses, dos quais 30 foram suspensos.
Na prática, como Le Pen já cumpriu a maior parte dos 15 meses restantes desde a condenação proferida em 2025, ela recupera o direito de concorrer ao Palácio do Eliseu, alterando o cenário político francês às vésperas do início da corrida eleitoral.
Uso da tornozeleira gera dúvida sobre candidatura
Apesar da possibilidade jurídica de disputar a Presidência, ainda permanece uma incógnita sobre a decisão política que será tomada por Marine Le Pen.
A dirigente do Reagrupamento Nacional tem uma entrevista prevista para a televisão francesa na noite desta terça-feira (7), ocasião em que poderá anunciar se manterá sua candidatura ou se abrirá espaço para outro nome do partido.
Nos últimos dias, Le Pen já havia manifestado preocupação com os efeitos do monitoramento eletrônico durante uma campanha presidencial.
“Se me permitirem ser candidata, mas eu for efetivamente impedida de fazer campanha livremente, então vocês compreendem que isso não seria possível”, afirmou em entrevista concedida na semana passada.
Segundo uma fonte judicial ouvida pela Reuters, o uso da tornozeleira eletrônica poderá impor restrições logísticas à campanha, já que a política teria de retornar à sua residência todas as noites. Ainda assim, a mesma fonte avalia que essa condição não impediria completamente a realização de uma campanha nacional.
A fonte acrescentou ainda que Le Pen poderá solicitar a retirada do dispositivo após alguns meses de cumprimento da pena, desde que apresente bom comportamento.
Condenação envolve recursos do Parlamento Europeu
A condenação da líder da extrema direita francesa está relacionada ao uso de recursos destinados ao Parlamento Europeu.
De acordo com a acusação, Marine Le Pen desviou cerca de 1,4 milhão de euros destinados à contratação de assessores parlamentares. A investigação concluiu que, entre 2004 e 2016, ela e outros integrantes do partido utilizaram verbas da União Europeia para remunerar funcionários que atuavam, na prática, em atividades partidárias na França, e não em funções ligadas ao Parlamento Europeu.
O caso tornou-se um dos processos judiciais de maior repercussão política no país, justamente por envolver uma das principais lideranças da oposição francesa.
Decisão dividiu o cenário político
Desde a condenação original, anunciada em 2025, o processo provocou intenso debate no ambiente político francês.
Aliados de Marine Le Pen sustentaram que a decisão judicial representava uma interferência na disputa democrática e poderia comprometer a livre escolha dos eleitores.
Já adversários defenderam que representantes eleitos devem responder perante a Justiça nas mesmas condições aplicáveis a qualquer cidadão, independentemente da relevância política do cargo ocupado.
A manutenção da condenação, acompanhada da redução da inelegibilidade, preserva a responsabilização da dirigente ao mesmo tempo em que altera o impacto eleitoral da sentença.
Reagrupamento Nacional trabalha com dois cenários
Enquanto aguardava a definição judicial, o Reagrupamento Nacional vinha preparando estratégias alternativas para a eleição presidencial de 2027.
O partido trabalha há meses com dois cenários distintos: uma candidatura liderada por Marine Le Pen ou, caso ela optasse por não disputar a Presidência, pelo presidente da legenda, Jordan Bardella.
Bardella já declarou publicamente que sua prioridade seria exercer o cargo de primeiro-ministro em um eventual governo comandado por Le Pen, e não substituí-la na corrida presidencial.
Entretanto, caso a líder do partido decida não entrar na disputa, ele deverá assumir a candidatura do Reagrupamento Nacional.
Pesquisas mantêm direita entre os favoritos
Os levantamentos de intenção de voto divulgados nos últimos meses apontam tanto Marine Le Pen quanto Jordan Bardella entre os principais nomes para alcançar o segundo turno da eleição presidencial francesa.
Algumas pesquisas indicam, inclusive, que Bardella poderia obter desempenho superior ao de Le Pen no primeiro turno. Ainda assim, a decisão da Justiça recoloca a principal líder da extrema direita francesa no centro do debate político e reabre as discussões sobre quem representará o Reagrupamento Nacional na disputa pelo Palácio do Eliseu em 2027.






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