A Justiça dos Estados Unidos abriu nesta quarta-feira (20) uma ação penal por homicídio contra o ex-presidente de Cuba, Raúl Castro, em um movimento que amplia a pressão de Washington sobre o governo cubano. O anúncio do Departamento de Justiça americano foi feito em uma coletiva na Flórida.
O caso está relacionado ao episódio de 1996 em que dois aviões da organização humanitária Brothers to the Rescue, formada por exilados cubanos radicados em Miami, foram derrubados pela Força Aérea de Cuba. O ataque resultou na morte de quatro pessoas e agravou a crise diplomática entre Havana e Washington à época. Segundo autoridades americanas, Raúl Castro ocupava o cargo de ministro da Defesa quando o incidente ocorreu.
A nova ofensiva judicial acontece em meio ao endurecimento do discurso do presidente Donald Trump contra Cuba. Mais cedo, Trump declarou que os Estados Unidos “não vão tolerar um Estado pária abrigando operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas 90 milhas do território americano”. A fala foi interpretada como mais um sinal de aumento da pressão política sobre Havana.
O atual presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reagiu rapidamente ao anúncio do indiciamento e classificou a medida como uma ação política sem fundamento jurídico. Dias antes, o líder cubano já havia afirmado que Cuba não representa ameaça aos Estados Unidos e reforçado o discurso de soberania nacional diante das declarações de Trump.
Rubio promete “nova relação” com Cuba
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também intensificou o tom contra o regime cubano. Filho de imigrantes cubanos, Rubio divulgou um vídeo falando em espanhol direcionado à população da ilha, no qual responsabiliza o governo local pela crise econômica e pela escassez de alimentos, combustível e energia elétrica.
“O verdadeiro motivo pelo qual vocês não têm eletricidade, combustível ou comida é porque aqueles que controlam seu país roubaram bilhões de dólares”, afirmou Rubio. Segundo ele, o governo Trump pretende oferecer uma “nova relação” entre Washington e Havana, incluindo ajuda humanitária de US$ 100 milhões em alimentos e medicamentos.
Rubio declarou ainda que a distribuição dessa assistência deveria ocorrer diretamente por meio da Igreja Católica ou de organizações de caridade consideradas confiáveis pelos Estados Unidos. Ele também afirmou que Trump deseja uma “nova Cuba”, onde os cidadãos possam escolher livremente seus governantes e substituí-los por meio do voto.
Governo cubano reage e acusa EUA de cinismo
As declarações americanas provocaram forte reação do governo cubano. O chanceler Bruno Rodríguez criticou Marco Rubio e o acusou de atuar como “porta-voz de interesses corruptos e revanchistas”. Em publicação na rede X, Rodríguez afirmou que Washington tenta responsabilizar Havana pelos impactos provocados pelo embargo econômico imposto pelos EUA.
Segundo o ministro, a proposta de ajuda humanitária anunciada pelos americanos é contraditória diante das sanções econômicas mantidas contra Cuba. Ele afirmou que o bloqueio e o “cerco energético” promovidos pelos Estados Unidos são fatores centrais para as dificuldades enfrentadas pela população cubana.
A escalada verbal entre os dois países já vinha crescendo nos últimos meses. Em março, Trump chegou a declarar que “Cuba é a próxima” ao comentar ações militares americanas na Venezuela e no Irã, embora sem detalhar quais medidas poderiam ser adotadas contra o regime cubano.






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