Justiça condena acusados pela morte da cantora Aline Borel em Araruama

Tribunal do Júri condenou dois réus por participação no assassinato da cantora e influenciadora digital; defesa informou que vai recorrer da decisão.

Os dois acusados pelo assassinato da cantora e influenciadora digital Aline Borel foram condenados pelo Tribunal do Júri de Araruama, na Região dos Lagos. O caso, que comoveu fãs em todo o Brasil desde 2022, terminou com penas de mais de 28 e 16 anos de prisão para os réus após um julgamento que durou mais de um dia.

O Conselho de Sentença da Vara Criminal de Araruama condenou Natanael dos Santos Nunes e Luiz Henrique Motta Fersura pelo assassinato da cantora e blogueira Aline Borel dos Santos. Natanael foi sentenciado a 28 anos, um mês e 15 dias de prisão, pena aumentada por ser reincidente. Já Luiz Henrique recebeu 16 anos e seis meses de prisão, com redução da pena em razão da confissão do crime.

O julgamento começou na manhã de quinta-feira (23) e foi encerrado apenas na madrugada desta sexta-feira (24), sob a presidência do juiz Eric Baracho Dore Fernandes, na Vara Criminal de Araruama.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Aline Borel foi atraída pelos criminosos para a Praia do Dentinho, em Praia Seca, onde foi executada a tiros em abril de 2022. A investigação apontou que os traficantes suspeitavam que a cantora estivesse repassando informações para uma milícia rival que disputava o controle da região.

Além de Natanael e Luiz Henrique, também foram apontados como envolvidos no crime João Vítor Fernandes dos Santos e Ricardo Santos Oliveira. Conforme a acusação, Ricardo, apontado como líder da facção que atuava na região do Corte, em Praia Seca, teria planejado a execução junto com integrantes do grupo criminoso.

As investigações da 118ª Delegacia de Polícia (Araruama) indicaram ainda que Aline realizava uma faxina em um imóvel utilizado pelos criminosos antes de ser levada ao local da execução.

Juiz destacou repercussão nacional da morte

Ao fixar a pena, o juiz Eric Baracho Dore Fernandes destacou que a morte da artista provocou forte comoção pública e repercussão em todo o país.

Na sentença, o magistrado afirmou que Aline era conhecida pela espontaneidade, pelos vídeos publicados nas redes sociais e pelas participações em programas de televisão, reunindo uma grande quantidade de fãs e seguidores.

Segundo o juiz, o impacto causado pelo crime ultrapassou o sofrimento da família e da comunidade local, alcançando repercussão nacional, circunstância considerada na dosimetria da pena.

Família pediu pena máxima

Durante o julgamento, familiares da cantora acompanharam a sessão e cobraram justiça. Eles defenderam a aplicação da pena máxima aos acusados pela morte de Aline Borel.

O caso ganhou ampla repercussão desde abril de 2022 e mobilizou milhares de seguidores da artista nas redes sociais.

Defesa afirma que vai recorrer

Em nota, a defesa dos condenados sustentou a inocência dos réus e informou que recorrerá da decisão.

Segundo os advogados, não existem provas suficientes para manter a condenação. A defesa também afirmou que a investigação teve como base uma suposta confissão prestada por Luiz Henrique durante o inquérito policial, alegando que ela teria sido obtida após agressões sofridas pelo acusado enquanto estava sob custódia.

Quem era Aline Borel

Aline Borel tinha 27 anos e ficou conhecida nacionalmente pelas redes sociais, onde publicava vídeos cantando músicas autorais e interpretações de outros artistas.

Entre seus trabalhos de maior alcance está o funk com temática gospel “É cansativa a vida do crente”, que ultrapassou 300 mil visualizações nas plataformas digitais, consolidando a cantora como uma influenciadora bastante popular antes de sua morte.

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