O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) arquivou o inquérito que apurava denúncias de violência psicológica, física e sexual contra o jogador Dimitri Payet, do Vasco da Gama. A decisão, homologada no dia 8 de maio, concluiu que não há elementos suficientes para sustentar uma denúncia formal contra o atleta, segundo o documento ao qual o Agenda do Poder teve acesso. A defesa da advogada Larissa Ferrari, que acusa o jogador, recorreu da decisão.
A Promotoria argumenta que as conversas entre Payet e Larissa, traduzidas do francês com uso de inteligência artificial, indicam um relacionamento com envolvimento afetivo e sexual consensual, incluindo práticas de sadomasoquismo. Segundo o órgão, não foram identificados indícios de coação ou manipulação psicológica por parte do investigado durante os diálogos trocados por redes sociais e aplicativos de mensagens
Em sua manifestação, o MPRJ afirma que ”é difícil mensurar o grau de limite do que a vítima considerava razoável”, e destaca que a própria Larissa, em entrevista à Defensoria Pública, afirmou que tapas e mordidas eram práticas comuns durante as relações sexuais.
Sobre as fotos com hematomas, divulgadas por Larissa, o órgão pontua que, apesar de existirem imagens de hematomas e laudos médicos, o contexto das interações entre os dois não permite concluir que houve violência sem consentimento.
Ainda segundo os fatos justificados pelo MPRJ, a recusa de Payet em romper com a atual esposa, Ludivine Payet, com quem possui 4 filhos, resultou no descontentamento da amante.
”Como atleta contratado pelo time de futebol, de caráter temporário, o prazo para o possível término da contratação e o seu retorno passaram a ser iminentes. No entanto, a sugestão apresentada pela suposta vítima não foi
aceita, fato que ensejou o seu descontentamento, que culminou com o
registro da ocorrência e a instauração do inquérito policial”, declara o órgão.

Defesa discorda
A defesa de Larissa, no entanto, contesta esse entendimento. Em recurso apresentado ao VII Juizado da Violência Doméstica e Familiar da Barra da Tijuca, os advogados sustentam que o consentimento foi viciado devido à vulnerabilidade emocional da vítima, diagnosticada com Transtorno de Personalidade Borderline.
Relatórios psicológicos anexados ao processo apontam indícios de dano psíquico relacionado ao relacionamento com Payet e sugerem que houve manipulação afetiva por parte do jogador:
”Negar seguimento à persecução penal diante dessas evidências é negar o próprio direito da mulher à dignidade, integridade psíquica e sexual”, afirma trecho do recurso. A defesa também abriu um Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero no Conselho Nacional de Justiça.
O recurso ainda será analisado pela Justiça.






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