Junta de dilatação irregular preocupa motoristas no viaduto de Padre Miguel; vídeo

Vídeo que tem circulado nas redes sociais mostra falha de manutenção da estrutura

Motoristas e principalmente motociclistas denunciam uma junta de dilatação irregular no Viaduto de Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra uma abertura no equipamento, que tem gerado preocupação entre quem trafega diariamente pela região.

Nas imagens, um homem afirma que a abertura teria sido coberta com material asfáltico para esconder o problema. “Jogaram o piche na abertura, jogaram o piche na abertura. Aí, jogaram um piche aí para poder enganar”, diz durante a filmagem. Assista abaixo: 

A junta de dilatação é um equipamento estrutural projetado justamente para permitir a movimentação da ponte ou viaduto em função das variações de temperatura. No entanto, segundo engenheiros consultados pela Agenda do Poder, o equipamento em Padre Miguel apresenta falhas de manutenção. 

Segundo o engenheiro civil Antônio Eulálio, especialista em Pontes de Grandes Estruturas e Patologia das Estruturas, a movimentação observada não significa risco de desabamento.

“Essas juntas têm que se movimentar mesmo. Esse deslocamento ocorre por efeito térmico e é previsto em projeto. A junta é especificada justamente para permitir esse movimento sem causar esforços excessivos na estrutura”, explicou.

Entretanto, o especialista ressaltou que o estado de conservação observado nas imagens indica necessidade de manutenção e merece uma avaliação mais aprofundada.

“Uma junta muito aberta pode gerar um problema estético e permitir infiltrações no concreto. Com o tempo, isso pode atacar a estrutura porque o ambiente é muito agressivo, com gases provenientes dos veículos. Esses agentes podem provocar a carbonatação do concreto e atingir a armadura, causando corrosão. Para saber exatamente o que está acontecendo, é necessário um diagnóstico técnico especializado”, explicou.

Ainda segundo ele, a principal preocupação está relacionada à segurança dos usuários da via, especialmente motociclistas que podem sofrer acidentes secundários. 

“Não existe risco de ruptura apenas por causa da junta. O que precisa ser verificado é se há algum comprometimento nos pilares, blocos de fundação ou na infraestrutura da estrutura. Agora, um vão aberto como esse pode representar risco para motociclistas, que podem perder o controle da moto, cair e ser atropelado pelo veículo que vem atrás”, enfatiza.

Medida provisória

Neste caso, segundo o engenheiro Eulálio, uma solução provisória para garantir a segurança dos condutores seria a instalação de uma chapa metálica sobre a abertura para reduzir os riscos, até que seja realizada a manutenção definitiva.

Agenda do Poder entrou em contato com a Secretaria Municipal de Infraestrutura. O texto será atualizado assim que houver retorno.

Acidente fatal

Em abril deste ano, o motociclista Luís Caetano Braz Filho, de 35 anos, morreu após ser arremessado de um viaduto na Linha Vermelha, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. Uma das rodas da motocicleta que ele utilizava ficou presa em uma junta de dilatação localizada na pista. 

*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes

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