Jovens negros filhos de diplomatas abordados contam que PMs mandaram abaixar as calças e ‘mostrar o saco’

‘Quando a gente deixava um dos meus amigos na casa dele, a polícia passou correndo, nos empurrando, apontando a arma e nos puxando’. A todo tempo perguntavam: ‘Cadê? Cadê?! Onde vocês esconderam?!’

Os filhos dos diplomatas do Canadá, Gabão e Burkina Faso, alvo de uma abordagem da Polícia Militar em Ipanema na última quarta-feira (3), relataram que os dois PMs exigiram que eles abaixassem as calças a fim de revistar as partes íntimas em busca de possíveis objetos roubados.

– Não sei se faz parte do protocolo, mas mandaram a gente mostrar o saco. Todos foram obrigados a mostrar – disse um dos meninos.

Ainda segundo os menores, um dos PMs também disse que “era para eles ficarem atentos, porque poderiam ser enquadrados e de forma mais grave da próxima vez”.

Nesta sexta-feira (5), representantes do Itamaraty se reuniram com os embaixadores do Gabão e de Burkina Faso — pais de 2 dos adolescentes — um pedido formal de desculpas do governo brasileiro.

Um dos meninos lembrou que a todo tempo um dos policiais questionava onde estava um objeto.

– Quando a gente deixava um dos meus amigos na casa dele, a polícia passou correndo atrás, nos empurrando, apontando a arma e nos puxando. Começaram a perguntar de onde estávamos vindo e a nos revistar. Em seguida, pediram para mostrar o saco. Eu não entendia. A todo tempo perguntavam: ‘Cadê? Cadê?! Onde vocês esconderam?!’.

– No final, os PMs falaram que tinha 4 meninos que estavam roubando na Zona Sul e que era para a gente ficar atento, porque a gente poderia tomar mais ‘enquadros’ mais graves da próxima vez – contou.

Na manhã desta sexta (5), investigadores da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat), no Leblon, também na Zona Sul da cidade, foram até o prédio onde a abordagem aconteceu em busca de testemunhas e imagens. Além disso, os menores serão ouvidos na especializada nos próximos dias.

A Corregedoria da Polícia Militar também abriu um inquérito para apurar o caso. Ao g1, o secretário da PM, o coronel Marcelo de Menezes Nogueira, afirmou que, “de maneira serena”, determinou que a Corregedoria fizesse o acompanhamento.

– Determinei que as câmeras corporais que os policiais estavam portando fossem descarregadas para um procedimento apuratório para que, de maneira serena, possamos esclarecer o que aconteceu. Estamos colaborando com as investigações, no sentido de apresentar os policiais [para depor] – disse Menezes.

– A iniciativa de abordar faz parte do protocolo da atividade policial. Não houve qualquer abordagem seletiva nesse sentido. Vamos avaliar a dinâmica e, se tiver necessidade de aperfeiçoamento de protocolo, vamos agir. Já tem um programa de aperfeiçoamento semanal nesse sentido para a PM. Um programa que ensina a abordagem humana – revelou.

Segundo Menezes, “é prematuro emitir juízo de valor sem apurar” o que aconteceu.

– Acho prematuro emitir juízo de valor sem apurar. Gostaria de frisar que a Corregedoria e a Ouvidoria estão abertas para que as famílias sejam ouvidas – finalizou.

Com informações do g1.  

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